Como antes no quartel

Como antes no quartel

Dúvida cruel, o que e para onde?

Série Arpoador para falar do Rio de Janeiro e da guerra do tráfico que recrudesce na Zona Sul e colapsa boa parte da cidade. Isso não quer dizer que o bicho começou a pegar agora, asi no más. Nada disso. Os sinais de que, mais dia menos dia, o que já estava fora do controle em outras áreas urbanas explodiria na maior favela carioca, a Rocinha, estavam visíveis.

Para coroar a levada hard core a violência explodiu no meio do caminho para o festival de música que pretendia ser o ponta pé inicial de uma “retomada” turística do Rio. É puro rock and roll! Com direito a muitos coros de “fora Temer” e protestos contra a classe política, a cura gay, pela demarcação das terras indígenas, a proteção da Amazônia e por aí a fora Temer de novo.

Enquanto isso Pezão, o governador estado, declarou ter “afinado a viola” depois de “discutir a relação” com o Ministro da Defesa, Raul Jungmann. Ele disse, no primeiro dia de ocupação do Exército, que a Rocinha “estava pacificada”. Como esqueceu de avisar “aos alemães”, o pipoco continua comendo solto.

A segunda possibilidade literária é partir para a série Parador Cuyabano abordando os últimos acontecimentos em Mato Grosso. Como a delação da delação do ex-chefe de gabinete do também delator ex-governador Silval Barbosa, que garantiu à nossa terra mais um título de primeiro lugar, dessa vez na categoria “dedo-duro escorpião”, o que morre com o próprio veneno. Aperfeiçoando o modus operandi estreado pela dupla sertaneja da J&S, Joesley e Ricardo, a que involuntariamente se auto gravou, Sílvio César se deixou levar pela falsa impressão que seria o único a ter a brilhante ideia de gravar colóquios comprometedores. Morreu pela boca. Existirá peixe-escorpião?

Enquanto alguns dormem com um pijaminha social (para o caso de precisar descer para vistoriar obras de emendas parlamentares em Várzea Grande), outros perdem o sono sem saber quando receberão a dádiva do despertar ao doce toque madrugador da campainha acionada pelos homens da valorosa Polícia Federal.

Aí, me pego pensando e desafio você, leitor, a exercitar sua imaginação e responder:

1) O que faria se soubesse que estava na mira dos tiras e que, mais cedo ou mais tarde, veria o sol nascer quadrado?

2) Como viver como se não houvesse amanhã, sem saber em que amanhã a vida boa acabaria?

3) O que você comeria e beberia se soubesse que o amanhã lhe reserva o direito garantido de uma marmita carcerária?

Voltando à realidade (só pode ser ironia), ainda há uma terceira opção para a crônica, a série Fábulas Fabulosas. Não fosse o detalhe que a última escrevinhação foi Senta no Toco, protagonizada pelo extraterrestre Pluct, Plact. Repeteco não dá, né?

Enquanto a dúvida persiste cruel impedindo o desenvolvimento adequado do texto, daqui da TV ao lado ouço a canção: “Só uso necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais”. Martelo batido! Definida a ambientação do restante da crônica em construção. “Mogli, o Menino Lobo”, mata a charada!

É lá na floresta (aquela onde a anta perdeu o cargo de presidente para o morcegão sugador do sangue da fauna local e as hienas continuam rondando a carniça governamental), que se desenrola o que sobra do espaço semanal que me pertence.

Acontece que, mais uma vez, as raposas foram convocadas para tomar conta do galinheiro da denúncia de que o morcegão e várias hienas parceiras andaram sugando sangue e comendo as beiras e o miolo da “ceva” florestal.

Apesar da revolta geral da bicharada, sibilam as cobras, coaxa a saparada em sintonia, uivam os lobos a luz da lua que, garantido mesmo, nesse caso, há apenas um direito: o “jus esperniandi” para engambelar a fauna torcedora. Por enquanto, fica tudo como antes no quartel de Abrantes.

Até quando?

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas Fabulosas” do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

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