O antes no depois

O antes no depois

Texto e foto de Valéria del Cueto

Essa crônica sai, na melhor das hipóteses, no sábado. Dia seguinte ao da greve geral convocada para o dia 28.

Só agora ao começar a redigi-la me dou conta que a mesma só sairá “na melhor das hipóteses” ou seja, no sábado, caso os empregados do jornal não… entrem em greve!

Pois não é que é na sexta-feira que o caderno é montado, editado e impresso para estar nas bancas na manhãzinha de sábado?

Vou situá-lo: é que escrevo na noite de quinta-feira acompanhando a movimentação para a greve geral do dia seguinte.

Amanhã ou ontem, conforme o ponto de vista…

Sim, vai (ou teve) greve. Dependendo da fonte consultada e das informações recebidas, o sucesso foi garantido, ou não.

O que desperta a atenção é a data da aprovação das mudanças nas leis trabalhistas. Alguns poucos dias antes do dia 1 de maio, o Dia do Trabalhador. E não se fala mais nisso.

Ou melhor, não se falou até a hora em que escrevo ouvindo o barulho da chuva que cai no Rio de Janeiro, trazendo ventos e fazendo o mar subir, para a alegria dos surfistas. Não faz frio mas os dias, dizem, ficarão cinzentos…

É assim mesmo. Não há nenhum pudor em mutilar a legislação de Getúlio Vargas e dá-la de presente ao trabalhador brasileiro no seu dia. Para soprar a velinha na sequência, assim, de carreirinha, vem a Reforma da Previdência.

Não dá para o trabalhador bater palmas. Estão na mesma canoa furada que os índios que andaram pela frente do Congresso Nacional dias atrás pedindo Demarcação Já.

Tem gente que se preocupou com a origem da manifestação de ontem. O mais importante eram as causas que levaram os brasileiros à greve.

Pode ser até que demore. Mas um dia a pressão será tanta que, finalmente, o povo vai entender que ninguém vai fazer por ele.

Não há santos distribuidores de benesses, jeitinho, atalhos ou mágica. Há esforço, suor e dedicação permanente para aprimorar (ou sugar até a exaustão, dependendo do ponto de vista) o sistema.

É um escárnio, um tapa na cara aprovar a “Reforma” Trabalhista na véspera do dia do Trabalhador.

Esse que vai pagar a conta da ladroagem explícita e declarada dos que legislam em causa própria em Brasília.

Os mesmos que condenam o brasileiro comum a morrer trabalhando para pagar suas mordomias.

Enquanto isso, Adriana Anselmo fica! Se dizendo “mulher do lar” de Cabral que diz que é tudo caixa 2, Bruno volta para o xilindró e um monte de gente espera.

Espera sobreviver a uma guerra que não é deles, dos morros cariocas ao outro lado da fronteira, em cima do aquífero guarani.

Diante dos 47 mil presos na Turquia, o que representam meia dúzia de corruptos e/ou uns a mais ou a menos lá para as bandas do Morro do Alemão?

Era uma vez um reino de faz de contas, cheio de contas a pagar.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Arpex”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

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