Para matar saudades

Viradouro 160124 098 Zé Paulo Sierra ApoteosePara matar saudades

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Tem gente trocando carnaval por outras necessidades mais urgentes nesse Brasil e em outros países. Alguma gente, assim, faz bem. Mas, sem querer polemizar, tem outra gente que precisa – e faz – de seu carnaval algo mais do que um “chacoalho” anual, a folia de Momo.

Há que se procurar o sentido que leva tantos a fazerem da vida uma sucessão de passarelas. A cada ano dedicando grande parte do seu tempo a preparar o desfile anual. É uma missão!

Só pode ser uma missão, e das mais importantes, a conjuração de fatores que preparam cortejos carnavalescos como os dos cariocas.

E, pode ter certeza, no meio do joio que costuma ser a safra anual de sambas e enredos, subitamente, algo se sobressai e ofusca, como uma luz brilhante, entre tantos cantos e batuques. A irreverência ou as homenagens podem ser marcas, virarem tendências. Mas uma vez ou outra, algo acontece que liga os céus a terra numa sintonia única, especial e, certamente, religiosa.

Esse ano, uma mensagem especial será mandada, em plena Sapucaí, pela Viradouro, que desfila no Grupo de Acesso do Rio de Janeiro com o enredo “Alabê de Jerusalém, a saga de Ogundana”.

As dúvidas e incertezas crescem e a vida se torna a cada dia mais difícil, marcada pela falta de diálogo e amor? Entoe o mantra e comece a mudar sua energia! Seus autores são de Paulo César Feital, Zé Gloria, Felipe Filósofo, Maria Preta, Fabio Borges , William, Zé Augusto e Bertolo. Ele será “puxado” no desfile por Zé Paulo Sierra, um dos autores do samba da Unidos da Tijuca, do Grupo Especial que homenageará um município mato-grossense: Sorriso. (Mas isso é outra história…) Este é o recado que vem lá de Niterói:

“Viradouro no couro do tambor
Pediu a Oxum e Xangô (Ora Yê, Yê, Kawô)
E a Olodumaré, no Ifé
Que o africano caminheiro
Desça em solo brasileiro
Pra falar da Luz de Nazaré
O porta-voz da harmonia e da paz
O mensageiro dos Orixás
Enfim, já baixou na aldeia
Que Aparecida clareia
Com a benção do Cristo Redentor
E a Sapucaí incendeia
Na chama da sua candeia… Incorporou

Meu nome é Alabê de Jerusalém
Voltei a Terra pra matar saudade
Vim falar de amor, de tolerância e igualdade

Cruzei Egito, Roma e Judeia
Amei Judith, a flor de Cesareia
O Rei dos reis que conheci se espanta
E chora com essa guerra santa
Que sangra esse planeta azul
Ó meu Brasil, cuidado com a intolerância
Tu és a pátria da esperança
À luz do Cruzeiro do Sul
Um país que tem coroa assim tão forte
Não pode abusar da sorte
Que lhe dedicou Olorum

Kawó Kabiesilé Xangô
Ora Yê Yê, Mamãe Oxum do ouro
São João Batista que me batizou
É o protetor da minha Viradouro

Diante desse hino de amor (que já tive a oportunidade de entoar no ensaio técnico da Viradouro, no último final de semana), após ver a força que estas palavras tomam quando ecoam nas vozes de dezenas de milhares de pessoas, resta apenas fazer o convite para que as pessoas reflitam sobre estas palavras e suas ações.

Com a humildade para reconhecer que, de onde se menos espera, pode vir a síntese e a catarse necessárias para que possamos transcender nossas limitações e nos desenvolvermos no sentido do bem e da paz.

Evoé, Alabê de Jerusalém, mate as saudades! E nos fale de amor, tolerância e igualdade…

* link para o samba http://youtu.be/9FAjqhub7rs

* Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “É Carnaval” do Sem Fim…

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