A ponte que partiu

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A ponte que partiu

Texto e foto de Valéria del Cueto

Não tem como manter a esportiva. Nem mesmo em tempo de Jogos Pan-Americanos de Toronto, comemorando as medalhas brasileiras e acompanhando as histórias de superação e os esforços dos competidores.

É por lá que ficamos sabendo que está nas Forças Armadas o maior celeiro de atletas do país. 123 deles,  um quinto dos esportistas brasileiros que estão no Canadá, fazem parte do Programa de Atletas de Alto Rendimento dos Ministérios da Defesa e do Esporte.

Também vem de lá a informação das péssimas condições de treinamento para os atletas cariocas sem equipamentos adequados para se prepararem para serem os anfitriões dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Também, querem o que do nosso Eduardo particular, o Paes?

Semana passado na crônica “Briga boa” o assunto era a obrigatoriedade não cumprida do ensino de músicas nas escolas de educação básica brasileiras. A Lei 11.769, sancionada em 2008 estabelece a norma e estabeleceu o prazo de três anos para sua implantação.

Pesquisando sobre o tema aparece o exemplo de Barra Mansa, município do estado do Rio de Janeiro, onde 22 mil alunos, 100% da rede pública, abrangendo a educação infantil, ensino fundamental e educação de jovens e adultos têm aulas de música.

Segundo o idealizador do projeto, o maestro da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa, Vantoil de Souza Júnior, o programa implantado em 2003 “conseguiu diminuir a delinquência infanto-juvenil, melhorar o índice de desenvolvimento da Educação Básica( Ideb) das escolas, dar visibilidade ao município no cenário musical, aumentar o turismo e gerar renda”. Simples.

Por outro lado vem a notícia dos efeitos catastróficos da parte que cabe à Educação nos cortes anunciados pelo governo federal. O terceiro maior, depois dos ministérios das Cidades e da Saúde. O orçamento previsto inicialmente para o Ministério da Educação era de 103 bilhões em 2015.

No vai da valsa, a lapada orçamentária anunciada e em execução é de 9,2 bilhões. 37% deste total, 3,4 bilhões, seriam destinados à construção de creches, escolas e quadras esportivas.

E viva a pátria Educadora, o país Olímpico etc e tal.

No caso das Universidades e Institutos Federais lá se foram 1,9 bilhões nos investimentos, dos 3,2 bilhões previstos. Obras com mais de 70% da execução terão prioridades. Ufa! E o resto fica pra depois, sabe-se lá quando.

No caso da UNB, por exemplo, o repasse anual de 4 bilhões caiu para 1 bilhão!

Por que será que professores e servidores de universidades federais de quase todo o país estão em greve há 2 meses?

Pronatec e FIES são os fiascos do ano depois de exibirem seus corpinhos sarados e esfregarem suas exuberâncias nas peças e debates da campanha eleitoral de 2014.

Imoral, mas não ilegal já que não existe um CONAR da propaganda eleitoral enganosa. Até quando?

Mais que imoral é desumano e cruel tirar de quem não é responsável pela tragédia anunciada. Que apertem os cintos e esvaziem os bolsos dos que (ir)responsavelmente fizeram suas escolhas, no caso comprovadamente equivocadas, nas urnas.

Prejudicar o futuro é sacanagem. Afinal, crianças não votam, nem tem muito como protestar ou cobrar os malfeitos que as atingem diretamente.

Pelo sim, pelo não, antes de apagar a luz no pacote de economia educacional, foi suspensa a Avaliação Nacional da Alfabetização, realizada pelo INEP (instituto ligado ao MEC).

Pátria Educadora nada. Nem mesmo ponte. Mais uma que partiu!

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

E3- ILUSTRADO - SABADO 25-07-2015

Edição Enock Cavalcanti

Diagramação Nei Ferraz Melo

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