Vamos ao vira!

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Vamos ao vira!

Texto e foto de Valéria del Cueto

Quando ele convida, sempre que posso, vou. Nunca me arrependo. Falo do professor de português, destaque e gestor de carnaval e, agora conheci essa sua faceta, folclorista português, Maurício d’Paula. Gosto de gente que espicaça a curiosidade alheia. Ele é assim. Me ajudou a conhecer o mundo dos barracões das escolas de samba, apresentou para muitos dos temas que hoje trabalho nos ensaios fotográficos do mundo do carnaval. Quando me chama eu vou!

Aconteceu de novo. Um convite para assistir a festa de 53 anos do “Almeida Garrett”, grupo de folclore português, no dia 01 de maio, na  Casa da Vila da Feira e Terras de Santa Maria, na Hadock Lobo, Rio de Janeiro.

Olha, trocar o Samba do Trabalhador, roda de samba de Moacyr Luz e outros bambas, em edição especial no Parque Garota de Ipanema, ao lado de casa, ali no Arpoador, por uma aventura tijucana foi pura confiança, um bom argumento: nunca havia registrado as danças e os ritmos do folclore português e, cá entre nós, pouco conhecia sobre ele. Busquei referências pessoais e não passei do cantor Roberto Leal e sua franja loura. Dalí, sempre pulei para o fado. Amália Rodrigues, Dulce Pontes, Custódio Castelo…

Num lampejo ouvi ao longe uma rabeca e veio a Marujada de Bragança, no Pará (um sonho de consumo fotográfico, já que nunca cheguei lá), os costumes açorianos de Santa Catarina, as festas de Santos de Cuiabá e quase todos os rincões do Brasil. Mesmo assim não me senti dominando o conteúdo do que ia acompanhar. Era pouco.

A primeira particularidade que chamou a atenção foi o aspecto familiar da festa. É bom ver como as crianças se colocam nos ambientes culturais, qual seu papel no contexto. Lá estavam elas. Menininhas que pareciam pinturas. Com roupas de crianças, não imitando a dos adultos. Portuguesinhas de saias rodas e babadinhos. Cabelos de Maria Chiquinhas. Os meninos também, com seus trajes característicos.

Os componentes dos grupos convidados permaneceram com seus paramentados durante a festa. Mulheres de corpetes, lenços, enfeites, saias com anáguas, meias e chinelos e homens com seus “fatos” de domingo, coletes, correntes de relógios pendurados no bolso, bastões e chapéus.

Um pequeno aperitivo no encontro dos músicos dos quatro grupos participantes em que vários casais aproveitaram para mostrarem seus dotes de dançarinos e começaram as apresentações.

Basicamente, os grupos são compostos por músicos que tocam concertinas (gaitas), cavaquinho (inho), castanholas, reque-reque, ferrinhos (triângulo), tamborim, bombo… Pode haver uma cantora que entoa as letras num tom extremamente alto e que confesso, nem tentei alcançar. As vozes masculinas, mais graves, fazem um contraponto. E os bailarinos… Não é fácil fotografar as “rodas de bailar”. Justamente por serem rodas e dançadas, em parte do tempo, em duplas. Sempre uns de frente para os outros. Para fazer um rosto, inclua as costas do parceiro…

O “Rancho Folclórico Infanto Juvenil Danças e Cantares das Terras da Feira” abriu a série de apresentações. Lá estavam as crianças que exploravam o grande salão. Já gostei, considerando o ensaio sobre “Os meninos (e meninas)” que faço ha anos nas quadras de escolas de samba e outros ambientes.

Ali foi por terra meu alegado desconhecimento sobre o folclore português. Reconhecia as cantigas escolhidas pelos grupos. A premissa única de “O Vira” desmoronava. O problema é que a gente nunca liga o nome à pessoa e a melodia a sua origem. O segundo grupo a se apresentar foi o “Alma Lusa”, de Curitiba. Maurício participou da exibição do “Rancho Folclórico Pedro Homem de Melo”, de São Paulo. O anfitrião, e aniversariante, Almeida Garret, fechou a festa.

Além das fotos, uma conclusão: O Brasil é uma casa portuguesa, com certeza! E a gente nem se dá conta disso…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”, do SEM   FIM… delcueto.wordpress.com

 E3- ILUSTRADO SABADO 09-05-2015

Edição Enock Cavalcanti

Diagramação Nei Ferraz Melo 

GRAVATA 

Reconhecia as cantigas. A premissa única assim desmoronava. A gente nunca liga o nome à pessoa e a melodia a sua origem.

 

 

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