Altos e baixos

Ipanema 150314 008 veleiro bicoAltos e baixos

Texto e foto de Valéria del Cueto

Irreconhecível, indecifrável. É muito tudo pra todo lado. A realidade shakespeariana num surto kafkaniano animal   invadiu a ficção. Com ares de romance noir virou um drama russo que, acreditem, degenerou numa tragédia grega. Até agora está mais extensa e cheia de reviravoltas mirabolantes que um folhetim barato. O fim da história, parece, será como os quadrinhos sensuais de Carlos Zéfiro. É, só falta mesmo um elemento pornográfico para apimentar o enredo do cotidiano corrente.

Treinando seus recentes conhecimentos adquiridos sobre literatura planetária, o extraterrestre Pluct, plact segue procurando diferentes ângulos e formatos literários para transmitir à escriba os últimos acontecimentos testemunhados de forma involuntária (considerando seu impedimento climático ambiental de usar seu sistema de propulsão para vencer o buraco negro orbital, que se amplia na camada de ozônio, para tomar o rumo do seu planeta) e, não tivesse ele um profundo interesse antropológico, totalmente desnecessário.

Pelo vão da janela iluminado pela lua, ele tenta convencer sua atenta e, por vezes incrédula, ouvinte que diante dos acontecimentos sua situação, apesar de restrita, é uma grande conquista. Afinal, evita uma exposição excessiva as radiações morais e cívicas que, no momento, atingem indistintamente viventes e sobreviventes.

Nada meio é termo. Ame-a ou deixe-a, preto ou branco, rico ou pobre, bom ou mau, gordo ou magro. Todos  medindo forças. E, nesse momento, via panelaço, redes sociais, nas ruas ou como mais der o povo está é querendo se expressar.

Quer disser… Alguns sim, outros não. O ministro, que deveria ser respeitoso e educado diante do “creme-de-la-creme” da classe política nacional, foi lá, deu “de dedo” na cara do anfitrião e ainda provocou a torcida, antes de se retirar de campo. Acabou jogando a toalha e perdendo o cargo de protagonista da prometida e alardeada Pátria Educadora.

Certamente saiu de lá com o fígado desopilado. Ensinou uma lição de sinceridade política inédita na história do Brasil. Deixou sua marca. Que ainda poderá render interpelações judiciais por sua conduta e afirmações.

Na mesma casa originou-se o exemplo oposto sobre direito à expressão. Reduzidas nestas singelas palavras: “Por orientação da minha defesa ficarei calado”. Há que se observar a revalorização da carreira de advogado, anota em seu Ipad intergaláctico o alienígena. Tantos são envolvidos e arrolados na Petrobrás, periféricos e adjacências, HSBC e demais investigações e processos que dizem ser apenas a ponta do iceberg.

Os mais médicos também entrando em alta, e não só por  cuidar da pressão. Assim como o dólar, a falta de emprego, os preços da energia, alimentos e por aí vai. O calor idem. Até na água do mar, incomumente quente nessa época pós turistas do ano. O mar calmo e espelhado anda bom para vela e natação.

A autoestima do povo é outra que está em alta. O que é bom. Afinal, será ele que terá que enfrentar as consequências do mal feito generalizado enraizado nas instituições brasileiras. Essencial é detecta-lo e cortá-lo pela raiz. Mesmo que os tentáculos dessa medusa sanguessuga se reproduzam a cada golpe. A devolução do bilhão inesperado pelas autoridades do governo da Suíça dá a dimensão da ignorância geral sobre o tamanho dos achaques.

Pluct plact, acredita piamente (e diz ser uma afirmação científica) que a conjunção do equinócio, do eclipse e da superlua nessa última sexta promoverá um sacode no céu. A escriba, sem tanta experiência intergaláctica não é tão confiante assim. Mas se conversa com um alienígena, por que não crer numa mudança? Cá entre nós, do jeito que está é que não dá ficar.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas fabulosas”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

E3- ILUSTRADO - SABADO 21-03-2015 

Edição Enock Cavalcanti

Diagramação Nei Ferraz Melo 

GRAVATA 

Nada meio é termo. Todos  medindo forças. E, nesse momento, via panelaço, redes sociais, nas ruas ou como mais der o povo está é querendo se expressar

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