Barata voa

Precisando fazer seus relatórios sobre o que se passa no Brasil pós-carnaval, Pluct, plact resolveu percorrer o alfabeto explicando como vão as coisas

SClem 150216 047 carro bruxa formigas

Texto e foto da São Clemente, de Valéria del Cueto

Não sabia mais nada. E, por isso, por uma questão de prudência, não dizia mais nada.

Só perguntas. E as respostas são as mais incríveis possíveis. Quem fala não diz, quem ouve não escuta, a conta sobe e o cacife cai. Enquanto as apostas sobem.

Está todo mundo fazendo jogadas de Dama, numa partida de Xadrez.  Onde só o quadriculado do tabuleiro é o mesmo. Fiquem certos, nessa partida nada é preto no branco. Cinquenta tons são poucos para quem quiser registrar as matizes dos acontecimentos em curso e vindouros no país.

A formiga trabalhadora segue em sua labuta pedindo a Deus que mantenha intacto seu ganha-pão, o a mantenha a salvo do tsunami de aumentos que já começaram com um efeito dominó. Cai o rei.

Como estava fora de forma e precisando voltar a fazer seus relatórios para a escriba (ainda residente numa cela do outro lado do túnel, exilada do mundo por suas contradições internas e externas momentaneamente insuperáveis, vejam só) sobre o que se passava no Brasil pós-carnaval, Pluct, plact, nosso amigo interplanetário, preso na poluição da atmosfera terrestre e, por isso, sem autonomia para seguir viagem para sua galáxia de origem, para relatar os fabulosos acontecimentos que está testemunhando, resolveu percorrer o alfabeto, tentando explicar como vão as coisas por aqui.

Quase humano, meio poetando…

Eis a criação apresentada para a escriba pela fresta da janela numa noite ainda de lua cheia.

Alfarrábios alfabéticos

“Você diz A ele entende B e responde C.

Ele diz D, ela quer E.

E não quer nada, só que ninguém lembre dele e que se F, porque tudo é melhor que G.

Precisando de um contraponto a sua linha escorregadia, ele apoia H, quase sempre mudo diante da sisudez um I cheio de intransigência e seu vizinho J, um pouco mais maleável (quase uma isca sedutora), apesar de meio desequilibrado.

Mas o que adianta se L se mantém em ângulo reto? Não se curva nem se dobra. M faz a onda e N surfa nela, deixando de lado a rigidez de sua orientação cardial. Se sempre virasse o O, um tubo com P de perfeito… Q coisa mais linda!

O R enrola tudo e permite o retorno para o S de curvas sinuosas e, mesmo, entroncamentos em forma de T, ou U, retorno mais radical do que o V. Esse, ainda tem alguma mudança de perspectiva.  

Voltarmos ao X da questão. O ponto Y.

É Z de zorra, zona e zebra. Chamem o Zorro!”

PS: Na falta do herói, na hora de tomar uma atitude seja para que lado você vá, não se esqueça de um dos  mais cariocas dos ditos populares: “Gentileza Gera Gentileza”, já dizia o profeta…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas fabulosas”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

E3-ILUSTRADO - Sabado 14-03-2015

Edição Enock Cavalcanti

Diagramação Nei Ferraz Melo 

 

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