Se essa moda pega…

Leme 140821 032 Standup Paddle Pão de Açúcar  Leme e Niterói

Texto e foto de Valéria del Cueto

Li outro dia numa rede social que o editor do Ilustrado, do Diário de Cuiabá, um dos portos seguros dessas crônicas, estava a fim de chutar o balde e deixar a vida leva-lo sem escrever uma linha para fechar o seu caderno daquele dia.

Isso me fez pensar. Quantas vezes não tive a mesma vontade em relação a escrevinhação semanal? Quais as  técnicas já utilizei para enganar a criança marrenta que existe em mim, fazê-la tomar tenência e cumprir o combinado com meu próprio eu: publicar todos os domingos um novo texto?

Definitivamente não consegui, apesar de um grande esforço mental, encontrar um bom conselho para incentivar Rodivaldo Ribeiro, o editor, a encarar seu desafio.

Acontece que a cada refugada acabo usando um artifício diferente para ultrapassar a barreira que tenta me paralisar a vontade.

Algumas vezes, em vez de pensar no texto, miro numa foto e dela extraio uma ideia. Outras, apelo pura e simplesmente para os deuses da Ponta do Leme, que raramente me faltam. Afinal há ali uma conjunção de fatores capazes de incitar a imaginação de qualquer ser humano sensível ao meio que o rodeia: sol, mar, ondas, areia, movimento, esportes, ventos, horizonte, céu…

Hoje, o tempo está nublado e, junto com ele, apesar de não querer, minha alma também. O frio impede meu caminho natural para buscar inspiração. E, se tivesse alguma coisa para dizer para o Rodivaldo, seria: mete bronca, parceiro. Chuta o balde e se liberte!

Poderia – e queria – fazer o mesmo, mas meu vazio iria recair sobre o editor que – soube depois – com grande esforço, juntando todos os elementos inerentes força de vontade do espírito que move os editores, havia conseguido fechar o caderno no seu dia de rebeldia não concretizada. Como poderia eu, impor-lhe as duas laudas que me faltam assim, em plena sexta-feira?

Por isso, apelei para todos os meus protetores e escolhi uma foto que me levasse para bem longe do meu vazio existencial e me preparei para encarar minha tarefa.

Confesso que nem plástica das pranchas de stand up paddle e seus remos que apontam para o céu, indicando o rumo do horizonte infinito,  foram suficientes para me fazer reagir.

Pensei, mais uma vez, em apelar para o argumento definitivo e contra o qual nunca combato: a preguiça,  passando a bola para Rosivaldo fazer o gol garantindo a ausência do goleiro para facilitar um pouco as coisas. Mas, novamente, achei que não seria justo sobrecarrega-lo com o meu vácuo criativo.

Como vocês podem ver, aqui estou e se o faço, é por ter arrumado um bom motivo para sacudir a poeira e dar a volta por cima.

Acontece que hoje é o último dia do mês de agosto. E isso, não poderia deixar de registrar. Pelo simples fato de ter sobrevivido a ele.

Não vou fazer um relato dos 30 dias que antecederam essa data derradeira porque tenho por princípio procurar (sempre que posso) um viés de esperança no futuro no que escrevo.

Hoje essa esperança se resume em registrar – e comemorar – o fato de ter sobrevivido a esse agosto inesquecível e poder fazê-lo dizendo: bem vindo setembro! Que a primavera nos encha de luz e novas possibilidades. De preferência em mar aberto, com céu de brigadeiro e navegando para dias melhores…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”, do SEM   FIM… delcueto.wordpress.com

GRAVATA 

Nem as pranchas de standup paddle e seus remos que apontam para o céu, indicando o rumo do horizonte infinito,  foram suficientes para me fazer reagir

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