Não tem preço


Mocidade  14020 285 apoteose bandeira br geral

Texto e foto de Valéria del Cueto

E não é que não houve amanhã? Assim, no más, fico pensando em uma semana atrás quando praticava minha caçada preferida ao assunto central da crônica. Sempre procuro o lado bom, pitoresco e – se possível- um registro diferenciado do cotidiano. Como fazer quando parece que o mundo virou de ponta cabeça? Onde antes havia esperança, agora há apenas um tremendo nó na garganta. Depois de tantas especulações e projeções, morremos na praia de morte bem matada, morrida e justa, com o mundo e uma nação inteira de testemunho da derrocada vergonhosa e inevitável. Dizem os alemães que poderia ter sido pior. Acredito neles!

E que não venham dizer que a culpa é do colombiano que arriou o Neymar. Nada justifica o inevitável. Em 06 minutos caíram por terra: planos, sonhos, teorias que (agora) sabemos mirabolantes e muito, muito marketing.

Os sinais de que a cantoria e a batucada desafinada  não segurariam o chão da escola da vida centrada no “Brasil, ame-o ou deixe-o” do novo milênio estavam todos ali, para quem quisesse ver. Alguns até tentaram alertar para o perigo. Mas a coisa foi andando, as etapas sendo ultrapassadas aos trancos e barrancos e todo mundo ficou se achando, embalado em mantras publicitários emocionais e milionários. Lição: não há “me engana que eu gosto” que resista a seriedade e foco, a não ser que você consiga o impossível: combinar com os alemães!

O povo esqueceu o mau humor e seus problemas por quase um mês e já estava quase acreditando que a vida era uma partida de futebol meia boca cercada por todos os lados de penduricalhos, adereços verde e amarelo e aquela musiquinha do hexa, a que nunca foi composta. Até ali, quando a seleção… Deixa pra lá. Por que foi lá, em BH, e não aqui que tudo mudou.

Deus, que continua sendo brasileiro, mudou o tempo e, com a ajuda de São Pedro, está fazendo o céu vir abaixo desde então. No Rio, choveu a cântaros depois do jogo de terça feira, o que esfriou os ânimos de quem estava em Copacabana, pronto para comemorar e cantar, com Diogo Nogueira, mais uma vitória da equipe canarinha, ou…

De lá pra cá, o aguaceiro para, mas recomeça diariamente em grandes proporções. Resultado: Estamos em estado de alerta pluviométrico! Chamem o Cacique Cobra Coral para proteger nossos convidados!

Se fosse só isso… Nesses dias, parece que a sacudida foi mais ampla: tem hóspede vip de empresa parceira da FIFA fugindo do mítico Copacabana Palace (hospedagem sede da entidade), pela porta lateral do hotel mais charmoso do Brasil com a polícia em seu encalço com um delay de alguns minutos, o carioca descobriu que não verá nenhum jogo da seleção no Maracanã e – ainda por cima – somos território de los hermanos que, com todo o direito e barulho correspondente, fazem a festa na Princesinha do Mar, expandindo seus domínios e as comemorações para outros locais simbólicos da Cidade Maravilhosa, entre eles, o Sambódromo Darci Ribeiro. Depois de lotarem o Terreirão do Samba com motorhomes e barracas de camping, é para lá que eles “cresceram” e de onde pretendem lançar a cabeça de ponte para mais um título mundial de futebol.

A nós, restará o papel de meros espectadores quando a mandatária mor do país do futebol entregar, nesse domingo, a taça do mundo para nossos algozes alemães ou para os vizinhos argentinos. No segundo caso, a festa vai comer solta no Rio de Janeiro. No primeiro,  pelo menos, no quiosque aqui do Leme, onde os alemães têm se concentrado para comemorar cada passo em direção a mais uma conquista.

Isso não parece uma fábula fabulosa? Mas não é! Não tenho tanta imaginação…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

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