Se “esquentar” é pecado…

ET Moci 140202 026 Paula Evangelista setor 1

Texto e foto de Valéria del Cueto

A resistência a falar de carnaval perdurou até o último momento. Mas sucumbiu diante do desfile comemorativo dos 30 anos do bloco Simpatia é Quase Amor, pela praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, nesse sábado.

Imaginem o encontro dessa(s) turma(s). Se houvesse um medidor de lembranças e saudades certamente ele atingiria seu nível máximo exatamente nos momentos que antecederam a saída do bloco carnavalesco, ali pelas bandas da Praça General Osório, antes de “armar” e desembocar, balzaquiano e feliz, na Vieira Souto.

Como não falar de carnaval, sobre/vivendo no meio de um dos melhores do mundo? Pra não cair nessa vaidade besta de primeiro, maior… Prefiro situar o Carnaval Carioca um dos melhores.

Afinal, não dá para comparar nossa folia com, por exemplo, Olinda, em Pernambuco, São João del’Rey, em Minas, e mais alguns – não muitos, carnavais brasileiros e tantos outros que ainda pretendo estudar melhor no mundo: New Orleans, nos Eua, Navarra, na Espanha, o carnaval de Veneza, na Itália. Em Ivrea, no Piemonte, por exemplo, tem um tipo de entrudo!

Mas afinal, o que nos deixa sempre nesse dream team da maior festa popular do planeta? Entre outras coisas, a evolução provocada por uma inquietação permanente. O povo do carnaval é novidadeiro! Não precisa assistir os desfiles para observar esse movimento. É claro que nem sempre as coisas funcionam e fazem sucesso, mas já dá para citar alguns erros e acertos da pré-produção carnavalesca de 2014.

Antes da lavagem da pista da Marquês de Sapucaí pelas baianas de todas as escolas de samba nessa noite do domingo que antecede o carnaval, (quando também é feito o teste de luz e som no Sambódromo carioca, com o ensaio técnico da Campeã do Carnaval de 2013, a Vila Isabel), muitas ações já aconteceram no caminho da produção da festa de 2014.

A primeira iniciativa – a ser comemorada – foram os vídeos produzidos e distribuídos fartamente pela internet da gravação do CD das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Dela participaram, na Cidade do Samba, baterias, comunidades e  personalidades de cada agremiação. Uma oportunidade de confraternização e de mostrar ao público a cara do povo do samba.

A segunda, infelizmente, foi um tiro n’água já devidamente criticado: o CD com a falação que impede que a gente simplesmente ouça as músicas. Um saco.

No sambódromo, durante os ensaios técnicos, mais uma vez temos a comprovação de que, sem o som “oficial” do desfile, a festa é muito melhor. É quando podemos ouvir a cantoria das escolas e como elas levam o samba enredo do ano. Sem falar nas baterias…

Uma perda esse ano (que rezo para não aconteça nos próximos) foram os esquentas com a bateria no primeiro recuo, junto ao setor 1. A responsável pela quase extinção desse momento especial foi a Globo, transmissora do espetáculo. Ela obrigou as escolas para uma “gravação oficial” a apresentarem apenas um único samba. Para quem viu, por exemplo, a Imperatriz Leopoldinense levantando o setor popular com músicas dos blocos carnavalescos Cacique de Ramos no ano em que a escola falou de Ramos é uma tristeza! Só para citar um caso especial… Os esquentas das co-irmãs sempre foram emocionantes, um momento para energizar os brios dos componentes, como o nome já diz.

Esse carnaval também tem uma rainha sem reino. Trata-se de Ana Paula Evangelista. Ela gravou as vinhetas e participou de todos os produtos da verde e branco de Padre Miguel. Mas foi substituída de última hora entregando o posto de rainha de bateria para uma atriz da Globo. Não discuto e respeito a decisão da Mocidade Independente que deve ter tido seus motivos. Mas não posso deixar de fazer uma reverência à ex-rainha. Porte e aura da aristocracia do samba não lhe faltam, mesmo sem a coroa!

Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “É Carnaval”,  do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

DC ILUSTRADO

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