Aqui quem fala é da terra

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Aqui quem fala é da terra

Texto e foto de Valéria del Cueto

Era preciso conjurar os deuses. Reunir, com a ajuda de todos, forças celestiais para enfrentar o que estava por vir. Uma luz, por favor, uma esperança! Os sintomas estavam ali, aqui, em todos os lugares. E ele sabia. Sabia não, sentia.

Eram as maiores e menores temperaturas do planeta em décadas. E não mais que isso porque anteriormente não havia uma medição confiável. As tempestades assolavam os lugares frios. As chuvas não chegavam aos quentes. Ainda. E para elas, certamente, quem de direito não estava se preparando…

Tudo anunciado a prestação, como se juntando as folhinhas de calendários anteriores, não fosse possível “desenhar” um aumento gradativo nos extremos climáticos. Isso era pouco, quase nada, diante de outros sinais.

Os acontecimentos físicos se resumiam a uma única palavra: desequilíbrio. Trazendo com ele suas consequências inevitáveis. Tudo demais. Ou de menos. Estava resumido o momento. E como a toda ação, corresponde uma reação… A panela de pressão estava chiando.

Em janeiro, quem podia compareceu ao Baile da Ilha Fiscal, aquela última grande festa que sacudiu a corte do Império do Brasil, pré proclamação da República. Fotos, fatos, praias, pratos, sorrisos, corpos, alegria. “É hoje só, amanhã… não tem mais?”. Tudo muito caro, $urreal. Mas e daí? A felicidade selfie invadiu nosso mundo em comum, agora virtual, enquanto a tempestade ia se armando sobre nossas cabeças.

Aqui o primeiro sintoma foi a falta de chuva. Era o céu cobrando seu preço e pedindo passagem para desmoralizar nossas lindas moças do tempo. O que a meteorologia previa definitivamente não ocorria.

Paralelamente ao plano físico a “coisa” ia se alastrando, ainda sub-répticamente, para o moral. E uma hora a corda ia arrebentar.

Não, essa não é uma boa imagem, porque a explosão teve e terá um impacto muito mais amplo do que o romper de uma simples corda. E assim, depois do final de ano e do janeiro festeiro, foram todos colocados face a face com seus piores instintos, pré e conceitos. Éticos e morais.

Começou pela ação dos jovens que deixaram o ladrãozinho pelado e agarrado num poste no Flamengo, Rio de Janeiro. Aí, foi a vez da jornalista palpitar e ouvir o que queria e o que não queira, inclusive ameaças e uma campanha para que fosse demitida.

Mas o estopim do sacode moral foi dado pelo aumento das passagens de ônibus na Cidade Maravilhosa. A crônica da morte anunciada deixou de ser apenas literatura com a morte do cinegrafista Santiago Andrade.

Onde vamos parar? Não serão novas leis não cumpridas que resolverão nossos dilemas sociais, mas elas poderão reescrever a história da democracia(?) brasileira. Mais uma peça no quebra cabeça…

Tá bom? Não, ainda falta o lado astral, esotérico. Dois fatos: o primeiro, as pirâmides mandando seus raios direcionados para os céus. O segundo esse que sempre esteve ali, para quem quisesse fazer a ligação. A semelhança entre os registros maias, incas e astecas com os circuitos de computadores só foi percebida recentemente porque, antes, nós não tínhamos tal tecnologia…  Alo, alo? Responde…

Ele sabia que os tempos não seriam fáceis sem precisar de um calendário inca, mais ou asteca. Copa do Mundo, eleições e, dizia a sua bola de cristal, apagões de vários tipos. Físicos, morais e astrais.

Sorte que antes do período turbulento ainda havia uma esperança de felicidade momentânea. Parem as máquinas, cessem  todos os males que os deuses atenderam as singelas preces do seu povo: É (quase)carnaval!

Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “No rumo”,  do SEM FIM…  delcueto.wordpress.com

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