“Rapa” do prato

Torino 1311 03 062 Parco del Valentino parede vidro folhas

Texto e foto de Valéria del Cueto

Bom mesmo esse bolo italiano que não para de render! Depois de comê-lo e saborear a cereja, eis que ainda há aquela calda deliciosa para “limpar” do prato. É  falta de educação, mas quem resiste? Cada colherada raspada deixa gosto de quero mais. Muito mais…

E assim é a Itália, um manancial de grandes descobertas em camadas. Umas mais escancaradas, outras, nem tanto.

Alguns preferem se aprofundar num único local e extrair tesouros ocultos e não tão visíveis a simplesmente dar uma “voada” superficial pelas atrações turísticas mais concorridas.

Acho que não precisa dizer qual é a opção dessa série de crônicas dedicadas a “narrar” o que as fotos registraram para o “No rumo do Sem Fim…” nos meses de outubro e novembro de 2014, no norte da Itália.

Depois de um período em que a globalização dominava o top ten de 10 em 10 paradas de melhores e mais, eis que um movimento no sentido inverso pode ser observado em diversos setores da sociedade. Ele parte do geral para o específico, dando destaque ao que é exclusivo e peculiar.

Tudo bem que as “marcas” continuem dominando o mercado e ditando moda, mas aqui e ali é possível perceber uma tentativa de criar um diferencial, oferecer um “plus” que não seja encontrado na monotonia reinante nas calçadas mais famosas do planeta.

A brincadeira acaba virando um jogo de onde está o quase único, o local? Qual é o diferencial entre tantos mais e melhores? Isso não significa uma simples questão de valor econômico, mas sim de singularidade. E nem sempre o singular é mais caro. Ou é?

O mais interessante é quando descobrimos que nossas lições brazucas de criação de um diferencial são  conhecidas e criam filhotes, inclusive entre  aqueles que trazem de herança milhares de anos de cultura.

Um exemplo: há quanto tempo a indústria nacional de cosmética vem trabalhando o conceito de “fazer” com nossas riquezas vegetais produtos diferenciados, explorando as qualidades de da flora para personalizar a indústria cosmética “made in Brazil”? Natura e Boticário que o digam… A Bio Chama com suas águas cheirosas de Castanha do Pará e Guaraná, então…

Pois essa também é uma tendência de mercado que pode ser vista na Europa se você procurar bem entre as atraentes vitrines bem decoradas das franquias. Há o dream team disponível, acessível e prático para quando o produto “de marca” que usamos rotineiramente acaba. E isso é muito bom. Não há trabalho para a reposição.

Já quem procura e bate perna acha lojas artesanais, pequenos repositórios de tesouros que, tenha certeza, depois serão muito difíceis de serem encontrados novamente, a não ser que nos disponhamos a uma importação via internet (e viva a era digital!)

Algumas marcas de cosméticos estão nessa vibe. Caso da Dea Terra que industrializa cremes faciais e corporais com ingredientes típicos italianos como frutas cítricas sicilianas, açafrão de Abruzzo e sementes de uvas de Avola. Interessante,  não é?

Ainda há mais –  e foi esse ingrediente que garantiu à Dea Terra esse espaço, caro editor. Falo do “Tuber Magnatum Pico”. Nome científico do Tartufo Bianco di Alba. A essência do fungo raro segundo as pesquisas científicas tem um efeito especial e regenerador.

DSCN4695 Dea Terra tartufo bianco di alba

Reconhece o produto? A Trufa Branca é uma iguaria que atinge preços astronômicos, dependendo da quantidade e da qualidade dos tubérculos farejados por cães treinados para descobri-los nas raízes das árvores  dos campos da região de Alba, no Piemonte, numa determinada época do outono.

Justamente a mesma temporada desta série italiana do “no Rumo”! As impressões sobre a degustação do Tartufo Bianco di Alba ficam para mais tarde, já que é outra tentativa de “limpar” o prato de delícias deste tour italiano…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “No rumo”,  do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

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