Nada aquém

FloripaN 120831 328 Costão do Santinho lindaTexto e foto da série Florianópolis de Valéria del Cueto

Depois de me dedicar a dificílima arte de não fazer nada na semana passada, fazer o que?

O mundo anda lá fora, mas aqui dentro tudo está quase parando. Tem que esperar. Mas esperar o que?

Os sinais não estão claros. As forças que “puxam” as correntes que observo não estão definidas, mas existem.

Existem e estão por lá. Mexendo a água, a areia e quem se aventura a enfrentar as temperaturas inconstantes dos últimos dias.

Mais que cumprindo tabela, fazendo o papel de feiticeiras do tempo. Mesmo que seja do tempo invisível. Aquele que, quando vemos, já passou e a gente nem viu…

Por isso valorizar a sintonia entre o ser e o entorno. Quando a onda vem, surfar nela, como se não houvesse amanhã. Usar a força natural para se projetar em direção aos deuses do Universo, quase dialogando com eles. Assim, num tête-à-tête. Quando a onda vem…

Só que para detectá-la a tempo de poder usar sua energia a seu favor é preciso estar ali, a postos. Preparado para fazer o movimento correto, na hora certa. A palavra é sintonia.

E aí o exercício é permanente. Estar com os canais abertos para perceber, receber e acumular (para os momentos menos luminosos) os sinais emitidos é uma ginástica. Ela ajuda, limpa o organismo, purifica o sangue, aumenta os batimentos e carrega a adrenalina.

Mas… como tudo, tem seu tempo.

Continuo aqui, olhando o movimento. Esperando sentir na ponta dos pés o frêmito que vai se espalhar por todo o corpo no momento de fazer a minha parte. Usar toda a energia disponível para acompanhar a inspiração que explodirá logo ali na frente, num mar de espumas, uma parede de água.

Como tudo na vida pendendo entre o movimento e a imobilidade.

O problema é a água fria, no caso do mar, e o marasmo, no caso da terra. É aprender a fazer do tempo um aliado em que podemos aproveitar para organizar o passado e preparar o futuro.

Como um atleta que se prepara para uma prova. Momentos antes do sinal da largada.

Naquele instante em que pesamos o que fizemos para chegar até ali e projetamos o que faremos no decorrer do percurso.

O momento. Do tudo ou nada.

Ali, ainda há uma possibilidade. É a hora da verdade. Da sua verdade, de mais ninguém.

Primeira pergunta: fiz tudo o que podia? (geralmente me ferrava nessa, com a impaciência e a inquietude que carrego). Segunda: posso contar com isso para alcançar meus objetivos? Terceira: o que mais existe no meu corpo e na minha mente para explorar, extrair e transformar em energia?

Se a preparação foi pouca isolo a “falha”, zero a ficha e, vazia de minhas deficiências, por que as ignoro – jogadas que estão para escanteio, projeto minha vontade.

Porém… Se no balanço de perdas e danos considero o trajeto produtivo incorporo suas qualidades, esqueço seus defeitos e aí, sim, me dedico ao prazer de estar em sintonia.

O caminho? Cada um tem e faz o seu. Graças a Deus…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”,  do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

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