And now…

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Texto e foto de Valéria del Cueto

O vácuo entre os megaeventos deveria chegar a essas mal traçadas páginas.

Uma pausa entre o arrasa quarteirão eclesiástico e o da música, uma caminhada nextélica e cheia de lama entre a Cidade da Fé e a Cidade do Rock.

Pra começar nada de Cidade da Fé, que essa ficou atolada em Guaratiba. Foi um caso em que a arte imitou a vida, que aprimorou a arte.

Refiro-me a arte cinematográfica do delicioso filme franco-uruguaio “O Banheiro do Papa”, de 2007, escrito e dirigido por César Charlone e Enrique Fernández.

Uma história real, que virou ficção para ser ampliada exponencialmente na malograda Cidade da Fé: a de um contrabandista de fronteira que usa tudo o que tem para construir um banheiro, atender as necessidades básicas dos peregrinos e arrumar algum. Lá, deu tudo errado, igual aqui.

Isso é claro, não tem nada a ver com a alegria do Papa Francisco, sua empatia e a forma com que cativou as multidões por onde passou. Seu carisma e sua mensagem são inquestionáveis. A questão é mais palpável e real. Ela é financeira e econômica.

Foi nesse quesito que a parte Zona Oeste do Rio levou um banho. De água fria. A parte Zona Sul ficou sem transporte, desabastecida, porém feliz. Afinal o Papa é pop.

E já se foi. Para nós, ficou a realidade, a espera e um novo megaevento para breve.

A diferença está, justamente, nesse intervalo, agora habitado por uma gama variadíssima de manifestações populares. E, com as perspectivas futuras, em curto ou largo espaço de tempo, a tendência é que essa agenda venha a ficar ainda mais intensa. Afinal dólar subindo, bolsa em queda, e a inflação… Deixa pra lá.

Esses fatores, aliados ao descompasso dos dirigentes políticos, agora já preocupados em tirar proveito da revolta da população, já que estão definitivamente mal na foto popular, só tendem a agravar o quadro.

Não falo do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, estados por onde costumo circular com mais frequência. A questão é nacional.

Até Amarildo, o desparecido da Rocinha, não é mais um apelo carioca. O Brasil inteiro pergunta ao (des)governador Sérgio Cabral: ONDE ESTÁ O AMARILDO?

E, quanto mais fuçam pior fica. As câmeras que pagamos e eles anunciaram e alardearam nas propagandas milionárias em horário nobre da TV, simplesmente não funcionavam. Assim como o transporte, a saúde…

Alguém tem que pagar por isso. É muita irresponsabilidade, muito desperdício.

É nosso dinheiro sendo usado não em benefício do povo, para sua proteção, mas para enriquecer as firmas A e B, que simplesmente não cumprem o exigido nos contratos assinados e nem mal e nem porcamente fiscalizados.

Assim como as câmeras do Amarildo, as da CETRio também falham quando acionadas pela população. Especialmente as da casa do Sérgio Cabral…

Por essas e por outras é que haverá uma data especial no calendário dos megaeventos, no mês que vem, inserida por motivos alheios a vontade popular. Será o 7 de setembro.

A data em que todo brasileiro vai entender Dom Pedro,  quando bradou com revolta no coração e a voz cheia de razão: “INDEPENDÊNCIA OU MORTE”!

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”,  do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

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