Frente a frente

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Texto e foto de Valéria del Cueto

Olho para ele, ele olha para mim…

Há, sim, uma empatia entre nós. Aquilo que nos une é o que nos mantém ali. Olho no olho, imóveis. Esperando para ver quem vai reagir primeiro e para onde essa reação levará a energia que será despendida no movimento.

Também pode não acontecer nada. O momento passar, a fila andar e o que poderia acontecer ficar ali, largado, perdido no meio do caminho por inércia.

O fio do tempo estica até soar. Tenso como uma corda de guitarra. Poderia ser de violino, baixo, violão, viola de cocho. Sinto saudades de um dedilhado nervoso nas cordas tensas de uma viola.

A afinação depende do tom escolhido pelo instrumentista. Antigamente o diapasão servia apenas para conduzir o ouvido. Hoje, umas luzinhas digitais indicam se o instrumento está perfeitamente afinado.

Tecnologia…

Foi ela que deu um susto, merecido por sinal, em quem achava que dominava a mente e a vida do país. Assim, como um todo.

Não prestaram atenção aos códigos que brotavam nas telas dos celulares que todo mundo tem, ignoraram os novos meios de fazer o de sempre: dialogar, reunir,  expandir.

O vareio foi generalizado. E todo mundo tenta se preparar para dar respostas e corrigir as falhas de interpretação.

Aí é que a atenção tem que ser redobrada. E, se necessário, o grito ainda mais forte. Por que os caras podem ser ruins de gingado, mas que vão tentar das uma reboladinha e reinterpretar de forma tendenciosa o que está sendo jogado na cara do governo a cada manifestação, isso vão.

Plebiscito, referendo, reforma política? Conversas vãs para tentar botar pra dormir a “boiada”  perambulante pelos gramados da Praça dos Três Poderes.

Renan dizendo que se o povo decidir prescinde das normas constitucionais é piada. De mau gosto, é claro. Como o presidente do Senado pode considerar a hipótese do seu poder abrir mão de seu próprio papel constitucional?

Fumaça branca, antes da chegada do Papa. Que, se ainda está longe da maioria da população, já faz parte da paisagem do Leme, alterada por imensos painéis de metal que cercam uma enorme faixa da areia, mais um menos na altura do Zona Sul, o supermercado. Isso que ainda falta quase um mês para o evento.

Com ou sem campeonato na Copa das Confederações…

Ele me olha e eu olho pra ele. Nada mudou. Nada parece mudar. Mas é só a aparência.

O entorno se modifica animadamente. Quase de forma orgânica, envolvendo, entremeando, costurando.

Pode ser que saia até uma colcha de retalhos, disforme, quiçá. Mas que servirá para envolver,  aquecer e embalar os desejos de muitos, a vontade de todos, traduzidos pelo mar de gente que invadiu as avenidas brasileiras.

Nos olhamos. Ouço o som das suas mãos batucando levemente. É um tantan? E, veja, nem é carnaval…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”,  do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

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