Espelho, espelho seu…

Lad PLeme130516 045 onda formandoTexto e foto de Valéria del Cueto

Quando a “coisa” começa assim meio marola já sei que vou ter que rebolar fazer crescer a onda que costuma rebentar toda semana nesse espaço privilegiado. Não é falta de assunto, gente. São tantas opções…

Parece que o mundo está caindo na cabeça de escrivinhadores como eu essas semanas. Primeiro, com a informação de que redações importantes do país e do exterior estão demitindo seus jornalistas e fechando veículos. Segundo ,com as notícias mundiais dão conta que estão mandando seus fotógrafos para casa e passando o trabalho de registro de imagens para os… jornalistas.

Não é um caso isolado. O que me faz pensar que há sim, uma mudança “climática” abalando o mundo dos veículos de comunicação espalhados mundo a fora.

É ruim? Não sei não… Faz tempo que procuro novos formatos de distribuição de conteúdo. Trabalho possibilidades com bases mais gerais e brinco de pique como com nichos direcionados. Atiro em várias direções em busca de novos mares e picos onde possamos deslizar e interagir com novas tecnologias.

Afinal, se o formato jornalístico que dominou o mercado está se esgotando, alguém precisa fazer expedições precursoras, tentar descobrir para onde irá essa onda. A onda das informações. Um tsunami querendo se espraiar.

Uma coisa é certa: pode haver falta de empregos para jornalistas nos veículos… jornalísticos mas a necessidade de conteúdo de qualidade além de não haver diminuído, só tende a aumentar.

O mundo via internet e outros meios, está ávido de saber. E quem detiver a informação e conseguir filtrá-la e traduzi-la para seu público alvo estará nadando de braçada nessa nova era.

Assim como eu, os jornalistas sentirão saudades do antigo formato. É horrível ver seus postos ocupados por copiadores de releases assessóricos, sem ao menos uma checagem básica nas informações contidas nos mesmos. Só pra citar um problema crônico e intransferível. Tenho visto coisas de doer. E que ninguém contesta. Quem se limita a reproduzir as barbaridades recebidas, sem checar a veracidade do conteúdo, corre o risco de vender a ignorância alheia sem titubear.

Vou citar um fato como exemplo: a incrível e relevante notícia de que “pela primeira vez” na história da capital do maior estado do centro-oeste a bandeira de São Benedito (aquele) havia entrado na sede do paço municipal em questão. Do jeito que a informação veio da assessoria do novo prefeito foi três palitos: imediatamente reproduzida por órgão de imprensa, sem dó nem piedade com os festeiros de anos anteriores que, sim, sempre levaram a bandeira e a coroa para abençoarem antigos prefeitos e a sede do órgão municipal.

E olha que não precisava ir muito longe para alcançar as pernas curtas da mentira pregada assim, na maior cara de pau! Uma simples e singela busca no google indicaria que por ali já passaram várias bandeiras do santo, sempre empunhadas pelos festeiros do ano que, como eu, rezam – e muito – para que os caminhos municipais se abram, não apenas para os amigos do rei mas para toda a população da cidade a quem, em primeira e última análise, o alcaide jurou servir.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Parador cuyabano”,  do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

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