Estica, puxa, encolhe e manda

Carna-UGN110326-300

Texto e foto de Valéria del Cueto

Andei, andei, andei e, apesar de não estar cansada, sentei. É isso mesmo: obrigada. Afinal, nesse caso, para alcançar meu objetivo, só me resta esperar. E você com isso?

Pode não parecer, mas você tem tudo a ver com minha espera, esse hiato entre atividades 100% produtivas.  Explico: como tenho que esperar, sem nada para fazer,  faço-o sentada escrevendo e para quem espremo palavras e enxugo vírgulas, pontos e interrogações, correndo para alcançar ideias e laçar conceitos? Para você que acompanha as crônicas do Sem Fim… Que mais sem fim, do que esta espera obrigatória?

O motivo da necessidade do uso irrestrito de uma dose cavalar da minha paciência de Jó é anual: a busca dos resultados dos exames do check up.

Já cheguei a conclusão que isso é mais um teste da bateria de ultras, raios e tomos solicitadas pelos médicos. Mais um menos como a coroa de louros, usadas pelos Césares em seus desfiles triunfais pelas ruas de Roma. “Você é humano, a glória passa e a humildade e paciência devem ser exercitadas de vez em quando”. Só isso justifica a demora na liberação o que já está pronto. Pensando bem, ainda é pouco. Tanto que a senhora do lado reclama da troca de resultas e aconselha uma checagem cuidadosa para ver se está tudo em ordem. Que assim seja: vamos verificar. Eis-me aqui, Lei de Murphy, velha parceira!

Até que não foi mau. A espera não passou de uma página e meia de caderninho. Na mesma medida do chá de banco na Polícia Federal. O caso lá era tirar um passaporte novo.

Parece piada, mas, em vez de aumentar a validade do documento, seu prazo encolheu para 5 anos. Efeito da era Lulla.

Poxa, gente, assim nem dá tempo de desmanchar o pacotinhho de documentos da maratona passada. Março de 2008 não foi ha tanto tempo assim!

Estava tudo juntinho: certidões de casamento uruguaianense, sentença de divórcio cuiabana e averbação no local de origem do evento. Provavelmente intocado desde minha última visita a Polícia Federal sem ser a serviço (digo isso por que como repórter comparecia com frequência nas dependências da referida repartição).

Pois foi lá que  o meu périplo burocrático anual atingiu seu ápice. Imaginem que o funcionário disse que minha certidão de casamento, aquele que começou em Uruguaiana, em 1981, se não me engano, e foi desfeito  oficialmente em Cuiabá, em 1991, idem, idem, tinha que ser… ATUALIZADA.

Como assim, revalidar algo que já terminou há mais de 20 anos? Sinceramente, achei surreal demais. Segundo ele, minha certidão de ex casamento tem que ser refeita a cada 5 anos!

Ou seja: a cada passaporte novo terei que dar um pulinho a Uruguaiana, na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina para requentar a ex papelada!  Por que não me avisaram isso quando escolhi o marido, lá atrás? Teria prestado mais atenção no lugar em que oficializaria meu matrimônio. Bali, talvez?

É por essas e por outras que estou pensado em me exilar. Minha dúvida está em relação ao país escolhido para me abrigar. O Paraguay sempre foi minha primeira opção, por afinidade e amor a terra. Mas, agora, estou numa dúvida cruel. Tenho gostado muito do Uruguai, com seu presidente liberal,  super sincero e com opiniões pertinentes sobre nossa vizinha argentina: “esta velha é pior que o caolho, disse Mujica “O caolho era mais político, essa é teimosa”, acrescentou o presidente uruguaio.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”,  do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

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