O dia que o trem apitou: Cuiabá chegou!

Escolas de segundaTexto e fotos de Valéria del Cueto

Tá legal, você pode até não ser fã de carnaval, do desfile ou de samba.  Mas duvido que vá resistir a, pelo menos, uma olhadinha no desempenho da segunda escola a desfilar na noite de segunda-feira  no Sambódromo carioca. Se não pela paixão nacional que estará colorindo a tela, a lendária Estação Primeira de Mangueira, mas pelo enredo que ela trará para a avenida em homenagem à Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Vai ser lindo  atravessar os 700 metros da Marques de Sapucaí fazendo parte desse trem dos sonhos cuiabano!

Mas vamos pela ordem. Comecemos pelo “Horário Nobre”, enredo da São Clemente, que vai falar… disso mesmo: o horário nobre da televisão brasileira. Com um enredo de fácil apelo e muitos personagens cheios de empatia popular, o carnavalesco Fábio Ricardo luta para acabar com a fama de escola ioiô da única representante da Zona sul na elite do samba, a que fica  indo e vindo cada ano entre os grupos Especial e Acesso.

O trem cuiabano da Mangueira, conduzido por Jamelão (quanto orgulho por recebermos o visitante ilustríssimo) passa por 7 estações, apresentando aspectos mais turísticos do que pitorescos da cidade Verde. Mais uma vez a verde e rosa promete eletrizar a Sapucaí com uma performance dos ritmistas da sensacional Surdo Um, comandada por Mestre Aílton. Depois da paradona do ano passado, ele garante não apenas uma, mas duas baterias na avenida.

Se na Mangueira o amigo fiel era Nelson Cavaquinho a alguns carnavais atrás, para a Beija Flor, é outro: “Amigo Fiel, do cavalo do amanhecer ao Mangalarga Marchador”. A dupla Selminha Sorrizo e Claudinho, porta bandeira e mestre sala, e o carisma de Neguinho da Beija Flor, puxando o samba, sempre fazem da representante de Nilópolis uma séria concorrente ao título, pronta para abocanhar o título de campeão do carnaval. Milton Cunha,  carnavalesco e comentarista de TV diz que “mais importante num enredo não é o tema, mas o recorte dado a ele”. Oremos…

Já viram um enredo esvaziado? “Amo o Rio e vou à luta: Ouro negro sem disputa… Contra a injustiça em defesa do Rio”,  da Grande Rio é isso. Levanta uma lebre já abatida. Extraordinário.

Por que fantástico é o tema da Imperatriz Leopoldinense, “Pará – O Muiraquitã do Brasil”. A atriz Dira Paes e a cantora Fafá de Belém ajudam a explicar a força do amuleto e seus efeitos. Cahê Rodrigues, avisa que há um segredo no carro do Teatro da Paz, que fecha o 4 setor..

A última escola a se apresentar no desfile de carnaval em 2013 vem embalada por um sambaço de Martinho da Vila, Arlindo Cruz, André Diniz, Leonel e Tunico da Vila. O povo do samba da Vila Isabel, escola que doa 100% das fantasias para a comunidade, se entrega ao embalo do enredo “A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo – “Água no feijão que chegou mais um”. É festa no Arraial para fechar o carnaval!

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BOX: O TREM DA EMOÇÃO

Muita atenção à sinopse do enredo verde e rosa! Agora de autoria  do  carnavalesco Cid Carvalho. A estrutura é a mesma da anterior e mostra de forma mais amorosa e criteriosa um sonho antigo: a chegada do trem que, partido da Estação Primeira de Mangueira, ao ritmo das ousadas (são duas!) baterias Surdo Um, comandadas por Mestre Aílton – conduzido por Delegado, tendo como maquinista Jamelão – percorrerá seis estações no seu trajeto.

A Estação Eldorado é o surgimento da vila e as raças que ali  se encontram, do o sonho dourado que move a humanidade. Na dos  Mitos e Lendas Antônio Peteté conta histórias do Minhocão, o Tibanaré, o Pé de Garrafa e a Mãe d’água.

Zé Bolo Flor faz das suas brincadeiras na parada da Arte e do Sabor. Em Cuiabá a alimentação é sagrada, avisa o carnavalesco. A rezação é puxada por Mãe Bonifácia e os muitos festejos do calendário cuiabano na Estação das Festas de Santos. Amém!

Chegamos ao Portal do Paraíso. Aí, quem explode é a natureza que Deus nos deu e depositou aos pés do Portal da Amazônia, debruçada na beira do Pantanal.

A festa termina na Estação do Futuro batendo as portas da Cidade Verde alardeado por Maria Taquara. E, como “O conto que a gente canta é a história que o povo faz”, misturando tradição e o progresso, simbolizado pela Copa do Mundo, a bola agora está nos pés do povo cuiabano que num muxirum carnavalesco, a arte de João Sebastião apresenta para o mundo!

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