Paixão, julgamento e razão

Seminário Pensando o Carnaval

Texto e foto de Valéria del Cueto

Não é carnaval, mas é como se fosse. Não na Sapucaí, mas num auditório da Faculdade Hélio Alonso, em Botafogo, no Rio de Janeiro, ou então… em vídeo, na Super Rádio Tupi, via internet, no computador.

Eu estou aqui, ao vivo e a cores, que nem pinto no lixo. Cercada de sambistas por todos os lados,  participando do Seminário Pensando o Carnaval!

Promovido pelos sites CARNAVALESCO e Galeria do Samba,  Rádio Tupi, Instituto do Carnaval,  e contando com o apoio do site Tudo de Samba, do jornalista Leonardo Bruno, do Extra/Expresso, e de O DIA na Folia, o evento aborda a Gestão de Carnaval (pouco) e se esparrama sobre o julgamento dos desfiles carnavalescos do Rio de Janeiro, quesito a quesito. É claro que partindo do Grupo especial, a elite do carnaval brasileiro, mas também abrangendo o(s) Grupo(s) de Acesso.

Aqui tem gente de todo o lugar e de todas as matizes carnavalescas. Ao meu lado, Cláudio Brito, jornalista da Rádio Gaúcha e um importante promotor e divulgador dos festejos nos pampas, me mostra um torpedo informando que, em Uruguaiana, abriram as vendas para lugares nos camarotes, frisas e arquibancadas do desfile de 2012, inclusive à prestação. E mais. Que havia filas! Atenção para o detalhe: o desfile de Uruguaiana é depois do carnaval carioca!

Precisa dizer que carnaval dá pé? Só não vê quem não quer. Ele muda, se aperfeiçoa e se coloca como uma fonte inesgotável e limpa de geração de recursos econômico-sociais pela atração de novos e maiores contingentes de turistas a cada edição das festas, espalhadas por todo o nosso território.

A pergunta que vejo sendo repetida a cada mesa de debatedores é: “que porra de criatividade é essa?” Esta é a formulação feita por Laíla, lendário diretor de carnaval da campeã desde e muitos carnavais, a Beija Flor. É claro que existem parâmetros mensuráveis, mas a tal da criatividade é um mistério para os julgados, e quem o diz não é qualquer um.

Até o momento, a proposta mais palpável, que será encaminhada para autoridades e a Liesa (Liga das Escolas de Samba), é a de que as notas 10 também sejam justificadas.

A paixão é um problema. A mesma paixão que promove e move a festa, ironicamente, é a que embota os critérios de julgamento. Ela seria uma das causas de muitas notas equivocadas que acabam por mudar a história dos resultados dos desfiles carnavalescos.

O carnaval é assim, se transforma e adapta na medida em que as necessidades vão aparecendo. Ele é feito de contradições! O que distorce é o que move a festa e faz, por exemplo, o povo de Uruguaiana enfrentar o frio rigoroso do inverno da fronteira oeste do Rio Grande do Sul, para garantir os melhores lugares para assistir o espetáculo e, apaixonadamente, torcer por suas escolas preferidas.

O que lamento é ver locais que poderiam se beneficiar desse tsunami cultural, com tantos reflexos positivos, inclusive para a auto-estima da população, desconhecer e nada fazerem para valorizar a maior festa do nosso povo.

Estes, estão desperdiçando o ticket que dá direito a embarcar numa viagem prazerosa e lucrativa no alegre bonde da história do carnaval brasileiro. Estão a ver navios, à beira de um rio que, assim como o carnaval,  perdeu sua navegabilidade por falta de cuidado, carinho e preservação, o Cuiabá.

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “É Carnaval”, do SEM FIM 

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