Céu de Brigadeiro, tempo bom no carnaval do Rio de Janeiro

Texto de Valéria del Cueto

Advertência: como ano passado, aviso aos navegantes: o que vocês lerão não é uma visão global do que rolou na Sapucaí. Mesmo andando por quase toda a extensão da pista, com o apoio técnico da equipe irreparável da LIESA e da Riotur, para cumprir a maratona que me propus. Sem a colaboração de Marília, Paulão, Bento, Claudio, Raimundo, Antônio Carlos, Vicente, Renato e tantos outros não teria como produzir a quantidade de material que registrei. Este ano, involuntariamente, tive a chance de ampliar ainda mais a gama de “serviços” utilizados. Vocês verão por que…

Águas pra quem te quero: Banho na Beija Flor, os mistérios do mar no Império

Muita água rolou na Sapucaí, Rio de Janeiro. Graças a Deus não foi dos céus! O Império Serrano abriu o carnaval. Com os agogôs desenhando a cadência da bateria de mestre Átila e comanda por Quitéria, sua  rainha, ela deu o ritmo para que as arquibancadas integrassem o coro que cantava a “Lenda das Sereias e os Mistérios do Mar”. Marcia  Lage seguiu a linha de leveza estética que trouxe do Grupo Acesso para seu devido lugar na elite do carnaval, o Especial. As fantasias  sambantes explicam por que foram elas as primeiras a se esgotarem semanas antes do carnaval. A escola brincou na avenida livre, leve e solta, com seu estandarte nas mãos da porta bandeira Jacqueline e do mestre sala Diego, um garoto de apenas 17 anos. 

A Grande Rio juntou a fome com a vontade de aparecer. A escola usou e abusou do requinte para falar de um ícone do assunto: a França. Veio cheia de ouro e entupida de celebridades Uma delas, pensava ser o alvo dos fotógrafos, que tentavam “tirar” o cara de plano para registrar a comissão de frente e o abre-alas. Teve que ser alertado para sair da reta. Isso acontece em várias escolas. A diferença é que normalmente os diretores estão de costas para nós, olhando, sim, para o seu e o nosso objeto de desejo: sua agremiação brilhando na avenida. Esses, eu entendo, aquele? Bom, deixa pra lá. Na minha foto não entra!

Na frente da terceira escola a desfilar, vinha Martinho da sua Vila Isabel, personificando João do Rio que apresentava enredo sobre o centenário de Theatro Municipal. A escola fluiu na Sapucaí. Adorei o carro que o Theatro Municipal se constrói na avenida. Dá-lhe Paulo Barros, viva Alexandre Louzada e se prepare pro ano que vem. A Vila cantará Noel Rosa.

Visita a jato setores de apoio

Uma das coisas que procuro registrar, durante os desfiles são os meus colegas de turma do curso de Gestão de Carnaval. Morro de orgulho de nossa participação, analiso nossa capilaridade pelas escolas. Pois foi depois de fotografar o José Antônio e outros integrantes do “Plumas e Paetês”, quando tentava achar no alto de um carro da Mocidade Independente de Padre Miguel o destaque principal, Maurício de Paula, que Machado me agrediu. É isso mesmo, o enredo literário apresentava um boneco articulado gigante de Machado de Assis, que deu uma mãozada, direto na minha cabeça. Antes que começasse a ver estrelas consegui chegar na lateral da pista.

Tive a chance de conhecer outros setores da incrível infraestrutura da Sapucaí. Um controlador de pista me acudiu, os bombeiros me atenderam, avaliando o galo enorme que crescia. Eu, pedia gelo. Quem apareceu do nada foi o cuiabano Marco Jorge Bastos, meu grande amigo (e salvador). Quando viram que havia sangue no meu cabelo fui enviada diretamente para o serviço médico. Uma limpeza, mercúrio cromo e um analgésico resolveram a situação. Voltei a tempo de ver a Thatiana Pagung, talentosa rainha da bateria com o adereço da vez: uma pequena cartolinha. Com acabamentos diversos o delicado acessório bateu ponto com Adriana Galisteu no Império da Tijuca, no Acesso, e na linha de frente feminina de famosos da Grande Rio.

Bom, aí veio o banho nilopolitano. Antes de entrar na avenida, Neguinho da Beija Flor se casou  no primeiro recuo de bateria. Não cheguei nem perto e preferi assistir a cerimônia pelo telão. Pra variar a escola veio linda. Cheia de gente bonita. Nilópolis é, sem dúvida, um celeiro do carnaval do Rio. Dá-lhe Laíla! A conferir.

Foi em frente a uma cabine que vi a Unidos da Tijuca abrir um buraco na enorme na pista. Corpos pintados e esculturas humanas tentavam representar os detalhes do enredo sobre o espaço. A escola foi prejudicada pelo estado da pista, toda molhada, depois da passagem do banho da atual campeã.

Tambor é Salgueiro, Ramos tem Cacique

A curiosidade, tema da Porto da Pedra foi explorada pelo carnavalesco Max Lopes, ex- da Mangueira. Problemas com carros que desacoplaram podem representar a perda de preciosos décimos para a escola de São Gonçalo.

O Salgueiro foi recebido na Sapucaí pelos gritos de “É Campeã” vindos do Setor 1 e entrou arrasando. A intenção era explícita desde o primeiro carro repleto de tambores “tocados” pela Intrépida Trupe. A “Furiosa” de mestre Marcão, sustentou um enredo que é cara da escola. No último carro, mestres das baterias das agremiações homenagearam mestre Louro, uma idéia muito feliz do carnavalesco Renato Lage.

A Imperatriz Leopoldinense passeou pela história da escola, relembrando seus grandes carnavais e vitórias. Na avenida, muitas referências a antigos enredos que deixaram saudades e trouxeram títulos. Luiza Brunet teve o carinho dos componentes da bateria e das arquibancadas. Nesta altura, o cachorro sambista muito tranqüilo e interessado acompanhava a evolução de uma ala de baianinhas arrancando aplausos. O carro do Cacique de Ramos representava a glória de cantores e compositores que beberam na fonte, com Beth Carvalho e o Grupo Fundo de Quintal. Fantasiado de Cacique, o cantor Elimar Santos.

Sua águia, este ano dourada, apresentava a Portela falando de amor. Na comissão de frente O Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. O gari Renato Sorriso trocou seu uniforme laranja pelo azul e branco de seu coração (olha o amor aí!) e veio como destaque de chão. As muitas formas de amor apresentadas, se resumiam no carro da velha guarda da escola do coração de portelenses como Paulinho da Vila. Luma reinava a frente da bateria de mestre Nilo.  Animada desde o Salgueiro, na Portela acompanhei o caminhão de som e os puxadores e autores do samba deste ano, inclusive Diogo Nogueira, até o segundo recuo de bateria.

Lá, tive que dar meia volta, sob o risco de perder a entrada da Mangueira na avenida.

Com um ótimo samba, os componentes, entre eles, Guesinha, filha de Dona Neuma, se esforçavam para superar as sérias dificuldades que a escola enfrentou para botar seu carnaval na Sapucaí falando do povo brasileiro, sob o enfoque de Darcy Ribeiro. Estes problemas eram visíveis, por exemplo, no acabamento dos carros.

A noite se encerrou com a Viradouro pedindo Axé e falando da Bahia e de biocombustíveis. Seu desfile foi uma grata surpresa, desde a plástica do abre alas. Milton Cunha soube aproveitar a mudança de luz, já que a escola de Niterói desfilou no alvorecer. As cores quentes dos últimos carros se destacavam no fundo azulado, que anunciava o fim de mais uma disputa do Grupo Especial.

É, por que o carnaval, mesmo, ainda não acabou. No próximo sábado, certamente retornarei a Marques de Sapucaí para o desfile das campeãs. Até lá!

Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval

* Material captado por Valéria del Cueto para CarnevaleRio

 

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