Pergunta: “É isso?” Resposta: . . .

Pergunta: “É isso?” Resposta: . . .

Foto de Rivian Dias
Texto de Valéria del Cueto*

Nossa, este texto é uma raridade na vasta coleção que ostento na carreira do Sem Fim.

Todos dizem que o título de um artigo, matéria ou crônica é essencial para o sucesso das idéias que queremos transmitir nas algumas vezes mal traçadas linhas que publicamos.

Por isso seguidamente, pelo menos no meu caso, ele, o título é a última coisa com que me preocupo, sob pena de empacar ou prejudicar, por uma falha momentânea de inspiração, toda a produção planejada.

O que vem por último chega melhor, costumo apregoar. Mas… toda regra tem sua exceção e este é o título e a dita cuja, ao vivo e a cores.

Ocorre que independentemente das minhas lides digamos, literárias, sou jornalista há mais de….melhor deixar pra lá. Mas, por maior que seja o trecho de estrada que já tenha percorrido na profissão, o que me mantém na crista da onda lá da Ponta do Leme, no Rio de Janeiro,  é saber que sempre tenho algo de novo para aprender, nunca me considerei senhora de todo o saber. De um grão de areia no deserto do Saara do conhecimento, sim, mas não do todo, da imensidão.

Foi justamente aqui, em Cuiabá que pude, mais uma vez, botar em prática esse exercício permanente de humildade.

Se alguém me perguntasse por exemplo, quais as perguntas que, como jornalista de televisão mais odeio, aquelas que desqualificam, no meu entender, minha profissão e aqueles que competentemente nela militam, responderia, sem titubear que elas seriam: “Qual a importância de…”, ”Qual o significado…”, ”como você está se sentindo… “.

Explico. Quando o repórter não entende do assunto, não está sintonizado com o entrevistado, definitivamente não leva fé no que está pesquisando ou é preguiçoso mesmo, SLAPT lá vem com uma delas: genéricas ignorantes, impessoais. Resumindo, dizendo pra você: “Se vira, nego…”

Como disse, é vivendo e aprendendo e eis que surge a geração do “’É isso?” Eles são o assunto. Não o entrevistado. Este, coitado, está ali apenas para aplaudir e confirmar a performance estrelar dos reis da telinha.

Funciona assim: o(a) repórter abre a matéria, introduz o assunto, conclui, vira para o entrevistado (em outros tempos foco e objetivo da matéria e, hoje em dia, apenas dois de paus para compor o quadro) e, então, dispara para o coitado: “ É isso?”

Até o dia em que o ser onipotente ouvir como resposta: “Não, não é isso. Você entendeu tudo errado…” e der uma chave de braço no que deveria ser o repórter.

Por enquanto, diante da mediocridade inquiridora, a sua cara metade responde, usando os seus fugidios 5 segundos de fama, com seu  melhor sorriso colgate: “Com certeza”.

Os tempos eram melhores quando os talentos jornalísticos se formavam na vida, não eram diplomados formados nos bancos da academia das fórmulas acabadas, sob o verniz dos ternos mal cortados e dos cabelos domados às custas das escovas progressivas…

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval
Este artigo faz parte da serie Parador Cuyabano

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.