Registro dos tempos no tempo que vem

Registro dos tempos no tempo que vem

Texto e fotos de Valéria del Cueto
Fazia muito tempo que não passava por Rondonópolis (o que sempre acontecia quando nas férias ia e vinha de carro para o Rio de Janeiro). Fazia mais tempo ainda que eu não vinha à cidade.

Quando digo não “vinha” quero dizer passar um tempo. No vocabulário mais muderno, “ficar”. A última vez que fiquei em Rondonópolis foi em 1992, mais ou menos nesta época do ano e por necessidade, pela função que exercia na época, tive a oportunidade de esquadrinhar cada palmo da cidade.

Lembro que adorei o que vi. Gostei de conhecer a história do lugar, a beira do Rio Vermelho, onde Rondon fez pouso neste mundão. Sempre me interessei  pela história e vocação dos lugares. Neste quesito, Rondonópolis é um “prato cheio”.
O primeiro acontecimento, do qual já tinha conhecimento e alguma prática, depois que cheguei por aqui naquele tempo, foi a cavalgada que abre a Exposul, a exposição agropecuária local.
O ambiente me era familiar por que faço parte desse universo desde criancinha. Quando criança e adolescente passei por Ponta Porã, Bela vista, depois desci para Uruguaiana, no Rio Grande do Sul e voltei, anos mais tarde, para Mato Grosso. Sempre seguindo os berrantes, aboios, mugidos, tomando terere e chimarrão e ouvindo as cantorias e histórias do valoroso povo do gado.
Agora, voltei para Rondonópolis, a cidade do futuro, presente em Mato Grosso e sou recebida festivamente por uma volta às origens. Aos tempos em que o local se chamava Povoado do Rocio do Rio Vermelho.
Caí dentro da Cavalgada, versão 2008. Comecei pela concentração, no antigo aeroporto, vendo a expectativa, o encontro do novo com o antigo, dos peões das fazendas com os donos da terra. Os sons dos carros de boi, das charretes, o tropel dos cavalos.
As bandeiras do Brasil de Mato Grosso, da cidade e da associação de produtores abriam o evento, abençoado pela santa padroeira, acompanhada pela tropa de uma comitiva de antigamente. Mas o tempo avançou…
E pude perceber este avanço pela inclusão de dois acessórios, adicionados à indumentária característica dos participantes da festa. Peão agora, além de seus apetrechos clássicos, usa óculos escuros, a maioria, espelhado. Nas mãos, além das rédeas, um objeto quase sempre prateado é empunhado com intimidade: são máquinas fotográficas
digitais.
Com elas, eles registram a história que se constrói, se recria, a cada celebração dos tempos do tempo de Rondonópolis…

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval

Este artigo faz parte da serie Parador Cuyabano

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