VIOLAS ENLUARADAS NA CONCHA ACÚSTICA DE POXORÉO

Violas enluaradas na Concha Acústica de Poxoréo

Texto e fotos de Valéria del Cueto*

“Quando me perguntam como foi fundada a minha amada e doce Poxoréo?

Esta pergunta prezo responde-la, que é uma estrela caída do céu.”

O som dos acordes cresce e transborda pelo espaço cênico a ele destinado, se espalhando pelos arredores. Barracas, restaurantes, bares, por todo o lado, ouve-se o solo ponteado da dupla de violeiros. Botas, calça jeans, camisa xadrez e cinto de fivela prateada, Aurélio Miranda solta a voz para cantar a cidade em que nasceu, lado a lado com seu filho, Aurélio Filho. “Minha doce Poxoréo” arranca aplausos da platéia que lota a menina dos olhos dos habitantes locais. A Concha Acústica do Parque de Exposições de Poxoréo, cidade do interior do estado da Mato Grosso, tem o palco em forma de violão e abriga, nesta noite, a inspiração e motivo de sua construção: o 6º Encontro de Violeiros.

O Hino Nacional, tocado “nas costas” pelas violas de Marcos Violeiros e Kleiton Torres abriu a etapa dos profissionais, que contou com a presença de mais 8 atrações. Entre elas, a revelação foi o grupo de catira Os Considerados e seu sapateado contagiante, vindo de Aparecida de Goiás. Toda a percussão do grupo é feita pelo som das botas e na palma da mão e, junto com Zé Mulato e Cassiano, foi um espetáculo a parte. Ao meu lado, na arquibancada que rodeia a boca de cena, uma senhora (a festa é para todas as idades) comentava a precisão dos passos do integrantes uniformizados.

A noite passa, os violeiros se revezam, e as arquibancadas continuam lotadas E não é pouca gente, vinda de todos os cantos de Mato Grosso  atraída pela boa música. Viola e violão reinam absolutos, mostrando que os estilos musicais apresentados têm um número expressivo e diversificado de admiradores. Moda de viola, toada, rancheira, polca, chamamé. Tudo num pacote só. O que é, e um aperitivo do que virá a ser. Um dia antes dos profissionais, os amadores fizeram a festa.

Na primeira noite, a 5 Edição é do Concurso de Violeiros Amadores, comprova que a fama da disputa já ultrapassou as fronteiras estaduais. Individualmente ou em duplas, são 34 participantes, representando 16 municípios de Mato Grosso, Goiás, do Distrito Federal, Minas e São Paulo.  Tão variada quanto as localidades é a faixa etária dos concorrentes. Vale tudo: de senhores tarimbados pelas noites enluaradas à promessas e sonhos de violeiros infantis.

A competição divide-se em duas partes. Na primeira, cada um dos 34 inscritos toca uma música. Em caso de empate, o que é quase inevitável, há uma segunda apresentação. As composições podiam ser de própria autoria ou apenas interpretadas. Os cinco jurados, atribuíam notas de 5 a 10 para os quesitos voz, ritmo, dicção e afinação.

Tarefa difícil e que consagrou a dupla de Rondonópolis Éder e Cícero Viola, com a música Tempo de Avanço. O segundo lugar ficou com Kleuton e Karen, de Anápolis.

Violeiro do Futuro, título da composição executada por Thacio & Robert, vindos de São José do Rio Preto e Uberlândia, que ficou em terceiro lugar, sugere que os encontro musicais de Poxoréo terão vida longa, consolidando sua fama nos lugares onde a viola ressoa,  e serão cada vez mais aprimorados nas próximas edições, gerando muitos frutos para o turismo e a cultura da doce Poxoréo de Aurélio Miranda.

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval

Este artigo faz parte da série Parador Cuyabano

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