Miniloja em Copacabana é mais estreita que uma TV

Publicado no TERRA
Três centímetros mais estreita que a largura de uma TV de 47″(que mede 123x79x32,5cm), e menos de um palmo mais profunda, com 50cm. Só a altura, igual a das lojas vizinhas, é de tamanho normal. Esta é a dimensão da menor loja de rua de Copacabana, na verdade, uma vitrine para consertos.
»Veja fotos da loja
Passei de ônibus e vi a placa de aluguel da vitrine,” relembra Ângela Maria de Souza Lopes, 41 anos, que sentada em um banquinho ocupa a maior parte do espaço disponível entre o fundo da loja e a porta corrida de vidro que delimita a fachada. No restante fica uma pequena bancada que serve para apoiar a bandeja de miçangas com que trabalha.
“Prateleira, bancada e banquinho”, resume Ângela todo o mobiliário da loja, enquanto acena para a senhora que passa pela calçada. No vidro, o aviso é pequeno, para não atrapalhar a vista da rua: “conserta-se bijuterias”, e o horário de atendimento: “de segunda a sexta, das 10 às 12 e das 14 às 17hs”.
Foi na Barata Ribeiro, quase em frente à saída da Galeria Menescal, entre as ruas Anita Garibaldi e Santa Clara, que Ângela, casada e mãe de uma adolescente, realizou, há quase um ano, seu maior desejo: ser dona de um “comércio” em Copacabana.
Artesã durante mais de 30 anos, ela veio de Maceió, Alagoas, onde, até quatro anos atrás, fazia suas bijuterias artesanais na Feirinha da Pajuçara. “Aprendi sozinha”, relembra com orgulho. “Sou artesã de fato e de carteirinha.” Por suas mãos passam os mais diversos materiais como coco, madeira, pedra, osso, semente.Antes da vitrine, ela tinha uma banca na Feira de Artesanato do Posto 5, na praia de Copacabana. “Mas lá é bom só na alta temporada. O ano todo não compensa. Aí que veio a idéia de ter um ponto nas ruas do bairro.” No espaço reduzido, cabe tudo e ela nem sabe dizer quantas peças tem ali. “Só de pulseiras, são mais de dez mil,” tenta calcular olhando em volta. Além das pulseiras, brincos, cordões, colares e outros enfeites impedem uma contagem precisa.
Segundo Ângela, são vendidas pelo menos 500 peças por mês a uma clientela variada e fiel. A maioria mora por perto. “Os consertos atraem. Agora, tenho encomendas para lojas e também um cliente italiano. Ele vem ao Brasil de três em três meses, compra as pulseiras de miçangas que faço como o nome do restaurante dele e distribui como brinde para os fregueses. É o maior sucesso”, comemora a artesã que interrompe a conversa quando alguém se aproxima, para poder atender. “Aí tenho que sair da loja, senão não dá para ver tudo o que há no mostruário,” explica.
Os preços variam de R$ 2, as tornozeleiras e pulseiras de palha, com algumas miçangas salpicadas, a R$ 50 por um colar feito de osso esculpido. “Esse eu só monto. Custa caro por que é feito por um amigo de Recife que tem um trabalhão para esculpir peça por peça. Tudo passa pela minha mão, exceção do que é feito com palha dourada. Essa eu tenho porque pedem muito, vem lá do Tocantins”.
Cliente da loja, Ana Lúcia Font é moradora do bairro e disse que descobriu o local quando precisou mandar arrumar um brinco. “Ela vende de tudo, faz consertinhos. E ainda é uma simpatia. De vez em quando venho comprar uma coisinha e conversar.”
O músico Lívio Macedo mora há pouco tempo em Copacabana e passa diariamente pela loja. “Fico namorando as coisas. Só que costumo passar na hora do almoço e ela fecha para dar uma descansadinha”, disse. “Sei que a dona é uma grande empreendedora”, afirmou, enquanto comprava uma colar dar de presente para a mulher. Macedo pediu ainda que Ângela que fizesse na hora um colar de miçangas e dadinhos com o nome Hanna, sua filha.
Apenas uma coisa ainda preocupa a alagoana empreendedora: regularizar seu negócio. “Quero um alvará e não sei se vão liberar”. Se depender da popularidade da vitrine de consertos e sua proprietária na vizinhança, em breve esta questão estará resolvida. “Ela é ótima no conserto e com seu sorriso, cativa os clientes”, derrama-se a senhora que expulsa a jornalista da frente da vitrine, para checar as novidades.

Valéria Del Cueto/Especial para o Terra

 

Loja é três centímetros mais estreita que a largura de uma TV de 47 polegadas
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