Hélio Lopes, encontro em Copacabana

Circuito-Val-e-Helio-PoconeHÉLIO LOPES: ENCONTRO EM COPACABANA

som precário e texto de Valéria del Cueto

Ainda dói muito. E assim foi até a hora em que alguém me disse o que todo mundo falava: Que é preciso deixar a dor partir. Pra ajudar na “passagem”. Como foi tudo muito rápido, uma certa  confusão é compreensível. Fica-se assim, meio perdido. E a dor só atrapalha, confunde as prioridades.

Lembrei de quantas vezes te convidei pra vir conhecer o lugar onde nasci, o Rio de Janeiro. Insisti, ameacei. E, se o que dizem os entendidos é verdade, agora você está aí, pra quem te chamar. Se tem coisa em que acredito, é na minha fé. Torta, mas firme, poderosa. Foi nela que me peguei, quando sexta-feira a noite, voltando da faculdade, fui atraída por um som diferente, que vinha da direção do Copacabana Palace, na praia. Ali entendi qual era o efeito da flauta mágica e do flautista de Hamerlin, que atraía as crianças com seu som. Fui atraída pela música.

Há duas semanas não conseguia produzir nenhuma imagem, como se meus olhos não encontrassem as lentes certas, errassem o foco ou esquecessem dos princípios básicos de fotografia. Não havia nada a ser revelado além da minha dor e, esta, apenas me cegava.

Aí, ouvi a música. Vi imagens projetadas acima do grande palco montado em Copacabana para a apresentação da Orquestra Sinfônica da Petrobrás que comemora os 35 anos do projeto Aquarius e me vi, mais uma vez, diante de um momento que vai se cristalizar na minha memória para sempre: era o ensaio geral do espetáculo, para milhares de pessoas, que vai acontecer daqui a pouco.

Seguranças, técnicos, e alguns curiosos não eram suficientes para lotarem o espaço na areia diante do palco. Era como estar no paraíso. Com direito a making off.

Chamei por você. Te intimei a partilhar, mais uma vez, a sensação de estarmos, como sempre, no lugar certo, na hora certa. E consegui, finalmente, ter paz e comungar minha saudade.

Não tinha uma câmera para registrar as imagens. Estava sem o celular para fazer uma Xepa. E aí, me peguei rindo. Da ironia: o momento seria, sim, registrado. Não nas imagens que sempre nos fez únicos, mas… em áudio. No meu microgravador. Sem a qualidade desejável, mas com o ineditismo que sempre nos perseguiu…

E assim foi feito.

Este é um trecho de Asa Branca, na versão do grande mestre Sivuva no concerto que, no momento em que escrevo, ainda não aconteceu, mas já provocou efeitos que só a música consegue produzir. Quando parece que a tormenta não vai passar nunca…

No podcast do SEM FIM… http://valeria-delcueto.podomatic.com/entry/2007-10-06T14_11_27-07_00

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