É só

photo-1 (17)É só

De Valéria del Cueto

Oba! Estou aqui. Meio travada como o dia, que começou nublado e ventoso nas esquinas do Leme. Uma dificuldade sair da inércia e cair na vida cheia de compromissos que me espera nessa sexta-feira.

Foi essa condição ventosa que  me trouxe pro meu lugar preferido: ao sol, na Ponta do Leme. Os nós de velocidade que, creio, prometem um final de semana especial para os velejadores sopraram o paredão  de nuvens que nublava o dia e eu, observadora atenta dos sinais meteorológicos da praia do Leme, tratei de mudar meus planos.

Empurrei, desmarquei, apertei minha agenda e… cá estou. Aviso: nem um pouco arrependida.

Com todos os sentidos prontos para receber as energias positivas que emanam do céu, da terra e do ar ventoso aqui da Ponta.Sabendo valorizar a bruma nebulosa que dilui o contorno do horizonte marítimo aqui na minha frente e a silhueta da paisagem que me cerca nos outros costados: a curva do contorno de Copacabana, os prédios do bairro, a mata atlântica do terreno do forte e a pedra do Leme.

Outro dia, um amigo comentou que não entendia de onde sai tanto assunto para falar sempre do mesmo lugar na série “ Ponta do Leme”. Fiquei pensando sobre isso. A ponta pode ser considerada a moldura das minhas reflexões, presumi.

Levanto os olhos, presto atenção no mar que até ontem esbravejava numa ressaca magistral. Praia plana, ondas perfeitas deslizando lá longe em direção a areia. Perfeitas para um jacaré.

Refaço a imagem do significado da Ponta do Leme nas minhas escrevinhações. De moldura à parte mais pura e essencial da minha narrativa.  O resto é só detalhe, penduricalho passageiro. Vale aqui, o que é permanente.

O telefone toca. Coincidência, o amigo a que me referi quer marcar uma reunião de trabalho. Seu escritório é no centro da cidade. Pergunto conformada qual o horário.

“Não, Valéria, tenho uma idéia melhor, que tal uma prainha básica aí no Leme?”, sugere. Sei que a reunião, muito séria por sinal, será duplamente proveitosa devido a sua condição geográfica e me pego rindo desta crônica, escrita para justificar meu samba de um Leme só.

Ele não tem explicação. É o Leme. E só…

Ps: Quer comentar? Mande um email para delcueto.cia@gmail.com

 Valéria del Cueto é jornalista e cineasta
Este artigo faz parte da série “Ponta do Leme

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