FLIP 2007 – ÚLTIMA MESA FALA DE LITERATURA DE ESTIMAÇÃO

Paraty N141011 105 Casario correnteÚLTIMA MESA DA FLIP FALA DE LITERATURA DE ESTIMAÇÃO

Que livro você levaria para uma ilhe deserta? Esta foi a pergunta feita, na vigésima primeira e última mesa da Festa Literária  Internacional de Parati a alguns dos escritores presentes. Entre eles, dois ganhadores do Prêmio Nobel, ambos africanos, Nadine Gordimer, de 1991 e J.M. Coetzee, de 2003. Juntando os livros escolhidos eles formariam uma biblioteca muito interessante, caso todos fossem parar na mesma ilha.

A última mesa da FLIP, “Literatura de Estimação”, foi apresentada pelo organizador da parte literária do evento, Cassiano Elek Machado. Ele disse que, ao pensar na ordem de apresentação dos escritores ali presentes, parecia que estava fazendo uma lista de chamada de escola.  “Como eu disse na abertura, isso parece ficção”, afirmou.

Ao seu lado, no palco, a “turma” era composta por Nadine Gordimer, Amós Oz,  Nuno Ramos, Rodrigo Fresán, Ahdaf Soueif,  Verônica Stigger, Jim Dodge e J.M. Coetzee.

A escolha foi muito diversificada e se por caso chegássemos nesta ilha, teríamos uma biblioteca, no mínimo instigante. A sul-africana Nadine Gordimer, por exemplo, escolheu um livro de um escritor nigeriano, Chinua Achebe, “Formigueiros do Cerrado”. “Ele é um escritor africano que escreve de forma universal”, explicou.

Amóz Oz preferiu levar um livro de contos, “Simply Story”, do seu compatriota israelense S. Agnon. “Ele foi um homem muito estranho,” disse Amós Oz, “acreditava em Deus, mas não gostava dele. Dizia que Deus não era amigo de ninguém”.

Foi de Clarice Lispector o livro escolhido por Nuno Ramos, que leu para platéia um trecho de “O Crime do Professor de Matemática”. Clarice, uma das maiores autoras da literatura brasileira, foi a homenageada da 3ª Edição da FLIP.

O escritor argentino Rodrigo Fresán citou Eduardo Mendonça, seu conterrâneo: “Se eu só puder levar um livro para uma ilha deserta, preferia morrer afogado”, mas acabou desistindo do destino trágico e escolheu Kurt Vonnegut, autor americano falecido ano passado. A obra é “Matadouro 5”.

Ahdaf Soueif, preferiu levar 4 poesias anônimas de sua terra, o Egito. Duas delas, eram poemas de amor, a terceira falava da natureza e a última, de apenas 4 linhas, era contada pela voz de Rá. “Estava tentando pensar na minha situação atual nesta ilha deserta. Será o meu fim ou um novo começo”.

Verônica Stiegger, leu um conto de Kafka do livro “Um médico Rural”, depois incorporado ao livro “O Processo”, mas deixou claro que trocaria o livro, que já leu várias vezes, por um cartão de crédito e um computador com acesso a internet.

Jim Dodge, escritor americano preferiu um livro chinês cuja forma atual foi escrita no terceiro século antes de Cristo:”Tão Te Ching”, de Lao Tse. “Sinto que estou cometendo uma blasfêmia lendo isto numa festa literária”, comentou antes de começar a leitura de um trecho do livro.

O último a declarar sua preferência foi outro agraciado com o Premio Nobel de Literatura, o sul-africano J.M. Coetzee, no único momento em que falou ao público durante a Flip. Antes, ele apenas havia lido trechos de seu último livro, Diário de Um Ano Ruim, ainda inédito. Seu escolhido foi “Molloy”, do irlandês Samuel Beckett.

de Paraty, Valéria del Cueto para o TERRA

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