FLIP 2007 – Escritores discordam sobre conflitos mundiais na Flip

Paraty N141011 105 Casario corrente
Ou…
LAWRENCE WRIGHT, PRÊMIO PULITZER E E ROBERT FISK, JORNALISTA INGLÊS,  DISCORDAM SOBRE CONFLITOS MUNDIAIS
Para Ernest Hemingway, coragem é não perder a elegância mesmo sob pressão. Os jornalistas Lawrence Wright e Robert Fisk, convidados da mesa “Narrativas de Conflito”, mediada por Dorrit Harazim, na Flip, em Parati, não perderam a elegância, mas deixaram claras as diferenças de posicionamento em relação a estes conflitos. Robert Fisk é correspondente do jornal britânico “The Independent” no Oriente Médio e autor de A grande guerra pela civilização e de Pobre nação, ambos lançados recentemente no Brasil. Lawrence Wright, americano, ganhou Prêmio Pulitzer deste ano com livro O vulto das torres, onde revela de modo brilhante as raízes dos trágicos eventos de 11 de setembro.

A leitura de trechos dos livros que estão sendo lançados no Brasil já revelava a diferença entre eles: enquanto Robert, que fala árabe e entrevistou em três ocasiões Osama Bin Laden, lê como escreve, de forma enfática, Lawrence é mais contido, mais distante.  Após as leituras a mediadora informou que haveria uma mudança no formato da mesa. Nesta, eles se entrevistariam mutuamente: “Afinal, esta é uma mesa de jornalistas e assim eu não vou precisar fazer nada”. Não foi bem assim. Era impossível não participar.

Dorrit perguntou ao jornalista inglês qual das guerras é mais difícil de cobrir: as convencionais ou as guerras civis. Robert disse considerar a convencional mais burocrata, “na civil você pode andar onde quer, não há hierarquia. Em comum entre elas o fato de que ambas buscam a vitória e a derrota, quando, na verdade, dizem respeito a falha do espírito humano”, explica.

A pergunta seguinte, ainda de Dorrit, foi onde eles estavam no atentado as Torres Gêmeas. Lawrence disse que começou a escrever seu livro que ganhou o Pulitzer na manhã 11 de setembro, lendo os obituários on line e dali tirou alguns dos personagens, sobre os quais escreveu. “Eu sabia que a história estava sendo feita naquele momento, nunca fomos atacados em nosso território. Foi um choque terrível”.

Já Robert, que estava num avião atravessando o Atlântico, indo para os EUA fazer uma matéria e recebeu uma chamada pelo celular avisando do primeiro atentado, contou que seu pensamento foi: “A minha matéria dançou”. Ele supôs que o autor do atentado fosse Bin Laden, devido a algo que este havia ouvido em seu último encontro com o terrorista:  “Rezo a Deus que me ajude a transformar os EUA numa sombra de si mesmo”.

O inglês disse que sua primeira análise era de que se alguém dissesse que os atentados iriam mudar o mundo para sempre, isso iria permitir o fim dos direitos humanos e a tortura “Bush e Tony Blair disseram isso e vejam o que aconteceu”, completou.

“Você acha que os EUA mereceram isso?” perguntou Lawrence para Robert “Que pergunta! Ninguém merece ser atacado. Você acha que o Iraque merece ser atacado pelos EUA? Só um ameircano faria uma pergunta como esta. Isto é uma pergunta ridícula, que merece uma resposta ridícula”, disparou.

Fisk perguntou a Wright se ele acreditava que os americanos tinham alguma idéia do que estão fazendo no Oriente Médio. “Os americanos estão muito cientes que estão sendo odiados e se sentem muito tristes com isso. Fui contra a invasão do Iraque. Hoje sou contra a retirada das tropas, diante da situação que criamos lá”, concluiu. Robert Fisk rebateu: “Vocês vão sair do Iraque e nós vamos sair antes. No final vamos negociar e sair. Os iraquianos não nos merecem. Eles não querem democracia. A nossa democracia.”

Vamos encerrar com a pergunta que todos querem saber, anunciou a mediadora. “Onde está Bin Laden?” Para Lawrence Wright há uma dúvida: “Será possível que saibamos (os EUA) onde está Bin Laden e não queiramos pega-lo?” Robert foi mais direto: “Não tenho a menor idéia de onde está Bin laden. Ele está aqui, dentro de todos nós. Os EUA falharam”, afirmou o inglês sendo aplaudido pela platéia.

De Paraty, Valéria del Cueto para o TERRA.

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