FLIP 2007 – Escritor atrasa na FLIP à procura de pastéis

Paraty N141011 105 Casario corrente

Ou…

ENCONTRO NA FLIP: MENINOS FALAM DE LOBOS

A FLIP está apenas começando, mas sua fama de bem receber seus convidados já rende frutos. Na primeira entrevista coletiva realizada, a do escritor Ishmael Beah, a informalidade deu o tom: ao chegar ao encontro os jornalistas souberam que haveria um pequeno atraso: Ishmael, com fome, havia dado uma fugida e busca de pastéis. Nada que prejudicasse os trabalhos, diante da simpatia do escritor e do tema que o trouxe a Paraty.

No Brasil para lançar seu primeiro livro, “Muito Longe de Casa”, (Ediouro) Ishmael  está a vontade: na semana passada visitou o Vidigal, jogou capoeira com integrantes do Grupo Nós do Morro e já conversou, com certa dificuldade, com Paulo Lins, autor do livro e roteirista “Cidade de Deus”. “Eu falava e Inglês, ele em português,
isso pelo telefone”, explicou ressaltando que já havia lido o livro e visto o filme.

O encontro dos dois acontecerá na FLIP, Festa Literária Internacional de Paraty, no próximo domingo, às 15 horas, na mesa “Sobre meninos e Lobos”. Em comum, histórias vibrantes sobre os ambientes tomado de brutalidade e desespero em que viveram, o brasileiro na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, e Ishmael, numa Serra Leoa devastada pela guerra.

” Não escrevi este livro para mim, escrevi para mudar a percepção dos que não sabem nada sobre a guerra”. No começo dos anos 90, com 13 anos, ele tinha nas mãos um fuzil AK-47. Seus pais morreram durante a guerra. Sem moradia e  comida foi parar nas fileiras do exército de Serra Leoa. Lutou contra grupos armados rebeldes e ajudou a trucidar a população civil.  Usava anfetaminas, cocaína e maconha distribuidos pelas forças armadas para encorajar as crianças a combater o cansaço enquanto semeavam o terror e massacravam vilarejos. Os primeiros assassinatos traumatizaram Beah, matar tornou-se um gesto cotidiano.

Em 1996, sob pressão da Unicef, o exército desmobilizou alguns meninos soldados. Beah passou oito meses em um centro de reabilitação, submeteu-se a um tratamento de desintoxicação e recebeu apoio psicológico. Em 1998, adotado pela escritora americana Laura Simms, que conhecera em 1996, durante um colóquio sobre meninos soldados organizado pela ONU. foi viver em Nova York. Lá terminou os estudos secundários, estudou Ciência Política no Oberlin College, em Ohio. “As pessoas não têm idéia da nossa existência, não sabe de nós. Nunca
soube que tinha habilidade para escrever, quis usar a educação que recebi para mostrar o que acontecia no meu país”.

“Na guerra, você perde seus sentimentos, leva tempo para recuperá-los. Escrevi o livro para dizer: você não deve ter esta experiência”. Seu relato está sendo lançado no Brasil pela Ediouro. A Unicef estima que 300 mil crianças participem de conflitos armados atualmente. Beah é hoje porta-voz dessas crianças. “Escrever esse livro foi difícil, pois fui obrigado a reviver minhas experiências de guerra. Mas não foi um preço alto para mostrar o que acontece às crianças em vários lugares do mundo”.

Beah tem 26 anos e prepara seu segundo livro, um romance. ” Quando sair desta roda viva terei mais tempo para escrever. Quero escrever mais por que ainda tenho muito para dizer, muito para contar, quero voltar às histórias que ouvi, ao mundo em que vivi.Serra Leoa é um dos melhores lugares da Africa. Sinto falta da vida simples. Existem
pessoas que têm muito, mas são infelizes. Sou uma pessoa esperançosa”

de Paraty, por Valéria del Cueto, para o TERRA

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