FLIP 2007 – EM PARATI, INDIO QUER CONTAR HISTÓRIAS NESTA EDIÇÃO DA FLIPINHA

Paraty N141011 105 Casario corrente

EM PARATI, INDIO QUER CONTAR HISTÓRIAS NESTA EDIÇÃO DA FLIPINHA

Na FLIPINHA, que acontece paralelamente a V FLIP,  em Parati, hoje foi tarde de índio. Primeiro, com Poranduba Etno, onde representantes das escolas indígenas estaduais Guarani Tava Mirim e Karai Oka, da região de Angra dos Reis e Parati  apresentaram danças e cantos de suas aldeias. Depois, com o painel “Raízes” da Ciranda de Autores com Daniel Munduruku e Fátima Miguez.

Na tenda decorada com panos e mobiles coloridos, as crianças se espalhavam nas cadeiras e pelo chão com seus olhares ansiosos e carinhas curiosas. No palco, Sérgio Silva, professor bilíngue, vestido com uma camisa do Vasco da Gama, esclarecia ao público: “Nós gostamos de futebol. Sou índio, mas sou vascaíno”. Aplausos para ele que a
seguir explicou que “poranduba” é uma palavra  tupi guarani, que significa, perguntar, querer saber e é utilizada por várias etnias.

A aldeia Araponga apresentou a Dança do Guerreiro. Pai Agostinho, cacique mestre da aldeia puxou a fila com seu chocalho marcando o ritmo. Atrás, dançavam 9 crianças, com adereços na cabeça, colares e a camiseta da escola. Sérgio apresentou um a um, demora mais explicando que Maninho, um menino de 14 anos, “está aprendendo desde pequeno a ser um grande mestre, um grande pajé”.

A garotada aplaudiu entusiasmada. O professor índio explicou que não vieram todos os meninos por causa do acesso difícil e convida a todos para visitarem a tribo. A escola de Parati Mirim trouxe mais gente para o palco. Lá, o grupo cantou canções da aldeia, todos de mãos dadas, expressões muito sérias.

Natália, 9 anos, cursa a 3. série na escola Monsenhor Hélio Pires e não perde uma FLIPINHA. encantada, conta que nunca tinha visto a apresentação dos indiozinhos e deu sua opinião sobre o evento: ” Eu gosto mesmo é das histórias que leio, e o que não falta aqui são livros”, afirmou a veterana.

Nesta FLIPINHA, na Ciranda de Autores que se seguiu, lá estava ela, atenta, ouvindo Daniel Munduruku índio de uma tribo do Pará, 43 anos, falando sobre Raízes, ancestralidade e os 30 livros que já publicou. Entre os temas abordados em sua produção literária, a temática indígena, a natureza e valores humanos. A maioria para crianças e
adolescentes.

Segundo ele, que começou na literatura há dez anos, “é muito importante que este livros também cheguem às aldeias”, o que acontece através de ações do governo, que compra e distribui seus livros e de outros 40 autores indígenas.

Daniel contou que foi parar nos livros a partir da contação de histórias, depois de adulto. “Na aldeia, quando criança, não somos contadores. somos “ouvidores”. Temos que jogá-las (as histórias) para dentro de nós.”

A  FLIPINHA deste ano, terá uma participação 30% maior que na edição anterior e, além do trabalho com livros e escritores, os estudantes têm uma tarefa extra: farão inventários do patrimônio imaterial de Paraty como a tradição oral, os saberes e as festas populares. Como os índios, que chegam pela primeira vez á festa, poderão aprender lições
importantes .

de Parati, Valéria del Cueto para o TERRA

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