SOS BANDA LARGA!

Leme-120731-090-lua-e-helicopteroDe Valeria del Cueto

Fevereiro de 2007

É hoje e, confesso, estou aqui não por opção, mas por falta dela.

Preparei vários álbuns de fotos e uns dois textos para incrementar o Sem Fim, mas eis que há mais de três dias minha conexão banda larga está inoperante. Primeiro, alguém chegou lá em casa e reclamou da lentidão. Só aí me toquei das falhas de conexão e do fim do tempo em excesso.

Cometi a loucura de ligar pra operadora exigindo o devido reparo. Apesar de uma vozinha chata dizer que o tempo de espera era longo e sugerir que eu ligasse mais tarde insisti, persisti e aguardei pacientemente até ser atendida pela linha de frente da empresa.

Esqueci.Antes dos anúncios de produtos e de se vangloriar dos excelentes serviços que imaginava prestar, a vozinha feliz pediu que digitasse meu código. O mesmo que, agora, a atendente pedia que eu confirmasse, além de outros dados básicos da conta. Finalmente consegui explicar, ainda de forma tranqüila, que queria falar com o setor técnico do servidor, não com o pessoal do cabo de TV.

Céu, inferno e…

Fui remetida de novo para o purgatório da gravação dos produtos e serviços que se repetiram inúmeras vezes até que… outra voz, esta ao vivo, me informasse que precisaria trocar o modem para solucionar o problema.

A visita foi marcada para o dia seguinte e a simples troca do aparelho se arrastou por (pasmem) três horas de peleia desigual. Nesta experiência descobri (grande consolo) que não somos apenas nós, reles mortais assinantes, que sofremos o diabo para conseguir uma ligação para o serviço. Pobres rapazes (já eram dois)… Foram horas de luta contra sinais de ocupado, falta de orientação e de solução para o problema que se abateu sobre minha inoperante banda larga.

O sonho

Uma luz divina fez com que fosse descoberto onde a porca torcia o rabo. Tudo resolvido, após as comemorações de alívio por parte do time (somos ou não somos todos irmãos na adversidade?) me despedi dos técnicos desejando, sem ser nada pessoal, é claro, não vê-los tão cedo pela frente.

Trabalhei até de madrugada em lua de mel com minha conexão aditivada. Atualizei o todos
os SEM FIMs: o blog, o podomatic,disponibilizei as fotos do Sorri Pra Mim… Foi assim, sorrindo, que fui dormir quando o dia estava quase amanhecendo.

A realidade

Pela manhã, nova decepção: o sonho não tinha conseguido se manter como realidade. Quando tentei abrir a internet, nada aconteceu. Ou melhor, aconteceu que ela não me deu nem bom dia…

Sem acreditar fui olhar as luzinhas do meu recém implantado modem. Elas piscavam

desesperadamente, num ritmo constante e militar. Tirei o modem da tomada, esperei dez segundo, tornei a ligar e… nada.

Decoreba

Bom, o telefone do servidor eu já sabia de cor. Hoje aprendi a recitar meu código de 12 números. Estou quase decorando o texto dos monótonos e repetitivos anúncios que ouvi durante horas. Fiquei mais culta, reconheço, ao ouvir que determinado filme, custou 40 milhões de dólares. Me irritei com o que chegou a ser uma piada quase sem graça no início da minha peregrinação. A brilhante idéia do marqueteiro de plantão da empresa de comparar seus serviços a um clube supervisionado por um coronel… russo?

Que prova de eficiência. Eita comparação infeliz. Quem não sabe quão obsoletas andam as armas do país comunista depois do fim da URSS? E as histórias de corrupção no exército vermelho, com armas sendo vendidas por baixo do pano? O que era piada virou motivo de irritação. Afinal, eu era a piada…

Salve, salve

Juro, até  tentei ser fina. Apelei para minha urgência profissional, tentei apertar os cabos, supliquei por atendimento. Perdi de vez a paciência quando uma mocinha, entre entediada e poderosa anunciou: “Vou marcar seu atendimento para a primeira data disponível”. Meu coração exultou. Minha mente calculava: “Será em uma hora, quem sabe duas…”. A voz decretou: “Temos hora para domingo”.

“?” indaguei atordoada. “Domingo a que horas?” perguntei sem acreditar na proposta indecorosa. “Na parte da tarde”, sentenciou a operadora. Quem me conhece sabe, tento me controlar para não explodir. Quase nunca consigo atingir o Nirvana em horas de sufoco, mas tentar, juro que tento. Não deu mais para aturar e minha voz foi se enchendo de indignação na medida em que, pausadamente, tentava explicar em tom de protesto: “Domingo a tarde? Quer dizer que além de empatar o meu trabalho vocês também querem atrapalhar o meu descanso?”

“É a data que sugerimos”, insistia a moça condescendente, enquanto eu informava: “Domingo nem pensar, ainda mais na hora do desfile do Simpatia é Quase Amor.” E encerrei a discussão agendando mais um round desse filme sobre direitos humanos para a segunda feira de manhã.

Hierarquia

Por isso, caro leitor, cá estou ouvindo o barulho do mar, aproveitando o sol de fim de tarde aqui no Leme. Me sentindo totalmente livre do jugo militar desta operadora incompetente.

Se o tal coronel russo acha que vai me dar ordens, decidir minha vida profissional e interferir na minha diversão está muito enganado. Há que se respeitar a hierarquia. Nunca vi coronel mandar em general… E o general da banda já ordenou: “Desligue as máquinas, esqueça a internet, chute esse mundo virtual pra escanteio”. É quase carnaval e se a ordem é para ser cumprida, vamos a ela…

Nos encontramos às 6 no desfile do Bola Preta, depois que o sol baixar e me expulsar, sem direito a apelação, aqui da minha praia. Na Ponta. Do Leme…

Valeria del Cueto e jornalista e cineasta
liberado para reprodução com o devido credito

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