ANTES A TARDE DO QUE NUNCA

Antes-a-tarde-do-que-nunca

texto e foto de Valéria del Cueto
fevereiro de 2006

Foi o ditado do dia que me fez chegar até aqui. Hoje é uma sexta feira clássica. Tão clássica que fui parar no centro da cidade! O motivo não poderia ser mais animador e estimulante: pra fazer a credencial de imprensa da Riotur (o nome diz tudo) e ter todo o sambódromo e outros logradouros carnavalescos a seus pés é necessária a entrega de fotos e documentos pessoais na sede da rua da Assembléia, centro do Rio de janeiro.

Baseada na previsão do tempo, teoricamente encoberto e com chuvas, como vinha acontecendo desde o último fim de semana, aproveitei para marcar um almoço com uma grande amiga e parceira na Cinelândia.

Só quando sai para a expedição foi que tive uma idéia do que era realmente o dia. E que idéia! Caminhando pelo calçadão até a estação Arco Verde do metrô, só não morri de calor por que usava uma roupa bem fresquinha, apesar da saia ser comprida. E o solzão lá, torrando a mim e a outros desavisados, já conformados com a expectativa de um dia cinzento e chuvoso como os anteriores.

CRIAÇÃO
Inspirada pelos ditos filosóficos de Mestre Marçal, personalidade do samba, ritmista e cantor, que venho estudando ultimamente numa das cadeiras do Instituto do Carnaval, pensando na praia e no prazer que estava adiando, já que heroicamente resolvi manter minha programação “downtown”, suspirei e me indaguei: “Dispensar esta ida à Ponta (do Leme)?” E me respondi, cheia de ânimo: “Antes a tarde do que nunca”

Seria infame se não fosse verdadeiro. Se a infâmia não tivesse gerado uma ação. Eis-me aqui, reagindo adequadamente, tal e qual uma lei de física tricentenária.

Fui ao Centro, fiz o que tinha que fazer e voltei correndo para casa. Quer dizer, para a praia. Por que em casa só passei para trocar o figurino executivo pelo meu bom e confortável biquíni.

OLHA O GARI AÍ…
Tá bom, o mar não está na sua melhor condição ainda cuspindo o lixo das últimas chuvaradas e muita gigoga emergente, mas graças ao esforço da categoria que deveria ser tema e inspiração do verão 2006, os garis, a praia está limpinha.

É claro que o mar devolveu quase tudo. E aí entram os rapazes, tratando de varrer mais, tirar mais lixo, limpar o pedaço. E olha que o pedaço a que me refiro é extenso. Quem manda termos esta orla que Deus nos deu? Bom, já que não dá pra me preocupar com tanta praia, volto os olhos para o canto em que habito.

O sol ainda está alto, para compensar o mar está baixo, o que não agrada aos surfistas de plantão. A praia até vazia. Outros gatos pingados como eu aproveitam o final do dia.

Nunca? Antes à tarde. De preferência na Ponta do Leme, esperando o carnaval chegar.

Valeria del Cueto é jornalista e cineasta

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