CORUMBÁ VÊ SUA HISTÓRIA SEM FIM

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Texto e foto de Valéria del Cueto

Maio de 2005

 De Cuiabá para Corumbá. No 2º Festival América do Sul, aconteceram  mil e uma atividades no paraíso pantaneiro. Trabalho gigantesco para quem, como eu, chegou trazendo o curta metragem “História Sem fim…do Rio Paraguai – o Relatório” para a Mostra de Cinema e Vídeo a convite da organizadora, Márcia Calazans.

Tremenda responsabilidade, se levarmos em conta a pole position do documentário abrindo a mostra, no Auditório da UFMS. No meio de tantas possibilidades culturais, era compreensível que o cinema não estivesse lotado. Mesmo assim, foi muito boa a forma com que o público reagiu ao curta. Dava para ver que a platéia, muito menor que a de Recife, a maior dos festivais, tinha bons motivos para ser crítica em relação a aspectos bem diferentes dos que observamos no CINE PE, na capital pernambucana.

 JACARÉ OU JACAROA?

As referências  pantaneiras, pequenos detalhes que passavam batido para quem não era íntimo do dia a dia dos ribeirinhos, foram notadas pelo público presente, a grande maioria adolescentes e crianças. Ele reagiu a cada virada, a cada detalhe do cotidiano da região expostos na tela cinematográfica. Pela primeira vez, o público só aplaudiu no final dos créditos, acompanhando atento o sem fim da história retratada.

Ganhamos um bônus, quando Márcia Calazans convidou o curta para ser reprisado, entre a primeira e a segunda sessão do longa Pantano, desta vez para um público mais adulto. E assim foi. Tudo diferente. Outras reações e menos aplausos no final. Saí sentindo como se tivesse acontecido um anti clímax. E fui para o banheiro, onde, sem ser percebida, ouvi a conversa de duas mulheres. Elas falavam do curta, de como tinham se sentido vendo na tela o Paraguai e Corumbá. Valeu mais do que os aplausos perdidos. Cada palavra, os momentos em gostaram mais, os lugares por onde haviam passado.  Saí de alma lavada, sem me identificar.

 NA IMPRENSA LOCAL

No dia seguinte voltei ao cinema para assistir a sessão de curtas. Antes de começar, acabou a luz na cidade. Resolvi esperar sentada nas escadas da entrada do auditório. Foi lá que duas mulheres vieram me pescar. Estavam fazendo um trabalho para o colégio e escolheram o curta como tema. Muito estranho passar da posição de repórter para a de entrevistada. Um segundo para pensar e ordenar o que dizer, tentar não falar besteiras. É, por que elas saem com uma facilidade…Deve ser assim com todos os entrevistados.

Pelo menos a gente pega prática, procura ser claro e objetivo. Foi assim no material que gravei para a TV Universidade, para o programa Olhar, da TV Educativa- Regional e para o programa de rádio boliviano do meu quase parente, Kleber Gutierrez.

Conheci o Kleber na sala de imprensa. Descobri que ele havia participado da Cúpula Mundial de Crianças e Adolescentes, em abril do ano passado, no Rio de Janeiro, onde eu estava apresentando o copião do curtametragem na oficina de crítica cinematográfica. Já havia visto uma entrevista com ele no site da Multirio: um garoto que fazia rádio e queria ser jornalista em Corumbá. Me lembro que cheguei a procurar seu contato para mandar o material do filme. Dei de cara com ele e deixei que explorasse como quisesse a história que eu tinha para contar.

INTRODUÇÃO À EXPOSIÇÃO

Depois disso, muita coisa aconteceu no tempo em que permaneci em Corumbá. Pude apresentar o projeto da Exposição Multisensorial ((RAZÕES PARA CHEGAR: A EXPOSIÇÃO) para formadores de opinião de Mato Grosso do Sul como o Secretário de Cultura, Sílvio Nucci, a Assessora para Políticas Públicas da Cultura, Margarida Marques, os organizadores do Festival de Bonito, para Pedro Ortale, Diretor Presidente da Fundação Cultural. Também mantive contato com Humberto Espinola, meu ideal de integração Mato Grosso, Mato Grosso do Sul.

Não parou por aí. Já que o estado de Mato Grosso não poderia faltar no Festival América do Sul, aproveitei para detalhar o projeto para participantes mato-grossenses: os Secretários de Cultura de Mato Grosso, João Carlos Vicente Ferreira e de Cuiabá,  Mario Olímpio. Conversei ainda com Yêda Marli, titular da pasta estadual de Turismo, afinal, as histórias do Pantanal são excelentes atrativos para os visitantes.

 O TEMPO DO TEMPO

As autoridades não assistiram o curta na Mostra de Cinema e Vídeo. Ou ainda não tinham chegado a Corumbá, ou estavam em outras das muitas atividades programadas para o mesmo horário. Compreensível. Não quis mostra-lo numa fita de vídeo ou DVD. Valeu o velho ditado cuiabano “beijou beijou, não beijou, beijasse…”. Ficou para a próxima tela de cinema do centro oeste. Que seja em breve…

E lá se foi….

Valeria del Cueto é jornalista e cineasta

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