OPERAÇÃO CABRITO – 01

ChapAlto-120612-007-Forte-do-LemeFORTE DUQUE DE CAXIAS

Tinha decidido me dedicar ao Leme. Sempre morei aqui mas não me lembro, desde criança, de haver explorado sistematicamente os atrativos do bairro. Resolvi começar  pelo Forte Duque de Caxias. O estímulo inicial veio da tarefa realizada durante as férias de pegar as menininhas na colônia de férias. A mesma que lá pelos 10 anos havia frequentado. Eu e meus irmãos. As lembranças eram as melhores possíveis, então resolvi visitar o Forte, que fica no alto da pedra do Leme. Aquele, que tem um bandeirão do Brasil, no canto esquerdo de Copacabana, pendurado lá no alto.

A investigação para organizar o passeio foi rápida e fácil. Os militares mantêm um toldo no calçadão, perto da entrada do Caminho do Pescador, que circula a pedra. Um soldado gentil dá as informações e indica um painel, onde estão afixadas  alguns dados do lugar. O passeio está liberado aos Sábados, domingos e feriados, a partir das ………..só podendo iniciar a subida até as quatro da tarde, já que as cinco acaba o expediente.

Daí, durante o verão, convidei um monte de gente para subir comigo. Todo mundo cheio de animação, encantado com a possibilidade mas na hora do vamos ver, ninguém se habilitava. Até que fiz a proposta para a Izabel, alemã amiga do Mickey que está morando no bairro. E lá fomos nós. Primeiro, acabamos furando o programa no meio da semana seguinte decidimos subir no domingo. Desse praia ou chovesse canivete.

Tá bom, é verdade que negaceei. Mas foi por pouco tempo. Para não encararmos diretamente o desafio, resolvemos primeiro dar uma passada na praia no domingão fingido que amanheceu nublado, espantando quem sai cedo para a praia e deixando as areias do Leme com cara de tudo, menos de Domingo. Que delícia. A temperatura da água convidava a um mergulho, depois outro, outro, outro… até que o tempo fechou e lá pelas duas da tarde, diante do inevitável, resolvemos encarar a subida.

Tudo o que me lembrava da primeira viagem, feita no tempo da colônia de férias, era da estradinha de paralelepípedos e de um cantil de milico que meu pai me emprestou, carregadinho de suco de uva gelado que fez uma inveja danada nos coleguinhas da turma que subia conosco. Tinha lido e me informado que havia uma cantina vendendo água e refrigerante no topo, mas na falta do suco de uva, preferimos levar uma garrafa de água na mochila. Mais prático e barato.

Lá fomos nós. A subida começa no fundo do Forte, o que me fez percorrer caminhos da minha infância: o campo de futebol onde as turmas da colônia ficavam formadas e faziam suas atividades, a piscina, o pedrão onde nos escondíamos atrás dos mastros das bandeiras, hasteadas diariamente antes do inicio das atividades das turmas e o caminho para o forte lá em cima, com uma pequena capela, se não me engano de Santa Rita de Cássia.

A estradinha paralelepipetada corta pela Mata Atlântica, em direção ao outro lado do morro do Leme ( lembre-se que pelo lado de Copacabana a pedra é pedra mesmo e só pode ser escalada ou cabritada, por gente mais corajosa do que eu). Na margem da estrada, logo na saída, placas advertem para que não se jogue lixo ou se tire plantas, uma ação quase irresistível diante da exuberância da mata que cerca a estrada.

Dizer que é uma subida difícil é exagero, mas que dá para ficar sem fôlego, dependendo do ritmo da subida, isso dá. O problema é que depois de cortar para o outro lado do morro, a gente começa a adivinhar a vista incomum que nos aguarda, já que ali não é Copacabana e muito menos a Urca. E quer procurar logo um ponto que permita uma visão das redondezas. Vê-se uma ilha que acho que é o que chamamos de Pedra do Anel, apesar de no mapa existente no piso do forte, lá em cima, a ilha ter outro nome.

A vista é linda, o primeiro plano a tal Ilha e, ao fundo Niterói e as praias oceânicas. Vem mais por aí. Seguindo em frente, começamos a contornar o lado oposto da pedra do Leme, quando menos esperamos, jã estamos nele, no forte propriamente dito. Bem de cara para a já citada bandeira do Brasil que tremula emoldurando os prédios da orla e as favelas do Chapéu Mangueira e Babilônia. Nesta patamar inicial está a cantina e, nela, alguns visitantes descansam. Ainda estamos do lado de fora do forte propriamente dito.

Transpomos seu portão e ali há três opções corredores nas laterias e um patio no centro. Seguimos, meio perdidas, por uma ameia a esquerda, de pé direito alto, piso de cerâmica e pequenos buraquinhos. Por eles podemos vislumbrar o que nos espera ao final do corredor. Ele vai dar na parte oposta do pátio central, onde dois canhões vigiam a entrada da baia de Guanabara. Em alguns pontos do pátio, duas escadas levam a parte superior, onde urubus mais vigilantes que os canhões olham descaradamente os intrusos que chegam. E por que só havia duas pessoas neste patamar: eu e Izabel. Circulando por cima dos corredores que percorremos no andar de baixo, tínhamos uma vista privilegiada da entrada da baia de Guanabara e de Niterói inteirinha. No piso, um mapa da região que visualizamos mostra quem é quem na ordem do dia a ilha em frente, a localização da fortaleza de Santa Cruz, outro ponto estratégico na defesa da cidade, o Pão de Açúcar, o Morro da Urca, etc. Também descobrimos um telescópio e, como não havia mais ninguém na área, pudemos usar o telescópio sem nenhuma cerimonia. Izabel tirava fotos e o tempo fechava. Por isso não tiramos grandes fotos, elas ficaram na nossa memória…

 

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