IMPRESSÕES DO TEMPO E HISTÓRIA

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DIÁRIO DE BORDO – 19 de dezembro

O lançamento do curta “História Sem Fim… do rio Paraguai” aconteceu há duas semana e somente agora consegui tentar descrever o que se passou no Odeon, dia 5 de dezembro, na Sessão do Programa Curta Petrobras 2. Foram muitas sensações ao mesmo tempo.

Primeiro, o encontro com Meire Pedroso, a atriz do curta. Nós não nos vimos desde a despedida da equipe nas filmagens, em Cuiabá, em 1999. Tínhamos nos falado por telefone, mas num determinado momento desta longa e acidentada estrada, nosso contato se perdeu e, até dois dias antes da estreia do filme, permanecia rompido. Reencontra-la e a várias pessoas da equipe foi muito bom. Estavam lá Eduardo Filipe, o Lulinha Araujo, tão emocionado quanto eu, o Dutra, nosso bravo assistente de câmera, o del Cueto e a Denise, Lucia Gutierrez e o Paulinho Costa do som, que chegou no meio da sessão. Tirando Paulinho, todos subiram no palco para a apresentação do filme.

 APRESENTAÇÃ DO CURTA

Confesso que minha perna ficou bamba, tremeu. Eu me lembrei do Mickey, meu irmão que vive em Londres e tem mania de ficar balançando a perna freneticamente. Quase perdi a concentração. Sabia que bastava trocar o peso do corpo de uma perna para outra, mas tinha a impressão que meu irmão iria embora e deixaria de mandar seu sinal de presença caso eu fizesse algo para parar a tremedeira.

Os últimos 7 anos passaram voando no reflexo das luzes dos refletores que cegavam a equipe no palco. Isso, depois das palavras gentis e incentivadoras de Ailton Junior, organizador do Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro sobre o filme, o que já gerava uma expectativa sobre a “História Sem Fim…do rio Paraguai – o Relatório”. E olha que seriamos o último dos cinco filmes da noite, convidado pela Petrobras para ser lançado em sua programação exclusiva. Era uma responsabilidade. Falei direitinho. Agradeci a Petrobras, que nos permitiu a apresentação, aos patrocinadores, co produtores… Estava indo. Bem. Ai lembrei dos sete anos de batalha. Das lutas, relatórios (Oh! relatórios) Agradeci ao Totico o comandante do Espanhol que nos conduziu na viagem e… Passei a bola pro del Cueto, que afinal era o produtor executivo do filme. Ele levou um susto, disse boa noite, e passou o microfone para o Eduado Filipe. Bem, começamos, por força do habito, uma historia sem fim, no palco do Odeon. Espero sinceramente que ela continue, por muitos outros palcos e cinemas do Brasil e, por que não? Do mundo…

 A ESPERA E A INUNDAÇÃO

Confesso que foram os minutos mais longos da minha vida, quatro curtas passaram na tela entre o som dos sinos que tradicionalmente abrem as sessões no cinema e o inicio da projeção da História Sem Fim… Foram quase eternos.

A tela ficou negra, apareceram os créditos, um som de avião, barulhos de teclas de maquina de datilografia (lembram?) e a primeira e unica fusão do curta acontece: do fade para o curso do Paraguai.

Majestoso, grandioso. Ocupando cada espaço da tela enorme e arredondada.

O primeiro susto e com o tamanho do Professor Celio Couto, papel desempenhado pelo ator Eduado Filipe, gigantesco na minha frente.(Edu, como você ficou enorme! Não resisti ao comentário). Para, logo depois, prender a respiração ante a primeira imagem do Pantanal invadindo o cinema. Transbordando por ela, dela, a tela. Lindo.

Ai senti que havia conseguido atingir o objetivo principal do projeto: ser condutora, multiplicar, traduzir, sentir e transmitir (não necessariamente nesta ordem). Um olhar pessoal, com uma linguagem diferente, mas nunca suplantando ou deixando os artifícios utilizados serem algo além de meios que valorizassem o objeto principal de todo o trabalho: o Pantanal, o Rio Paraguai e o pantaneiro, sua expressão máxima.

Sai da sala de exibição para a Cinelândia, atordoada. Tao atordoada que não consegui comemorar. Agradeci os cumprimentos dos amigos no final da sessão e, apesar dos convites, preferi ir direto para a casa. Sozinha e entendendo plenamente o que quer dizer a expressão “consciencia do dever cumprido” e o espaço que ela preenche no coração da gente…

Valeria del Cueto

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