LÁ SE VAI CHICO…

Fazendo a curva na terceira estrela, dando um pulinho em Saturno, que é para conhecer os anéis e uma olhada nas luas de Júpiter.

Não deixou endereço. Só avisou que vai por aí, contando pro universo inteiro os melhores causos cuiabanos, em busca das novidades que este novo plano abriu para ele.

Quase me esqueci! Tem um ponto para quem quiser saber por onde Chico vai andar. Procurem por D. Adelina! Certamente ele vai cruzar com ela. Aliás, dizem por aí, que nos últimos dois anos o que ela mais tem feito é assuntar sobre o melhor desta nova dimensão. Assim, quando Chico chegar por lá ela, mais uma vez, vai ter a chance de provoca-lo. Foi assim da primeira vez, aqui na terra. Foram as histórias, livros, causos de D. Adelina que puseram fogo na imaginação de Chico… Já é voz corrente que, se ele insistir só um pouquinho, ainda consegue arrasta-la para esta nova e maravilhosa aventura…

Pra quem fica, como já dizia Roberto Farias, o cineasta, Tchau! E foi com um tchauzinho que Chico picou a mula. Deixando para trás, no coração de quem o conheceu, um tremendo orgulho de ter vivido em seu tempo e um carinho enorme com todas as lembranças dos que puderam conviver com ele.

Foi Chico quem me apresentou Cuiabá. Me explicou muitos porques do lugar e fez com que eu me sentisse cuiabana em pequenas coisas, como sentir o cheiro da terra depois da chuva, reconhecer o aroma das mangas perpitolas no quintal de sua casa, roubar pastéizinhos das panelas da cozinha de D. Adelina.

Ele me mostrou um dos maiores prazeres dos cuiabanos de tchapa e cruz: a rota de fuga, naqueles dias em que o calor tira do sério os mais responsáveis dos homens de negócios, o que dirá nós pobres mortais, que nunca resistimos ao apelo, normalmente feito aí pelas onze e meia da manhã, sol a pino:

–         E aí? Vamos banhar? Me pega no portão.

Da Assembléia Legislativa para a casa dele era um passo. De lá até uma beira de rio, quase sempre na Chapada, um pulo…

Nunca resisti as sugestões de Chico. Viessem como viessem. Li todos os livros que ele me recomendou e, por isso dividimos tesouros como “O perfume de Jittergourg”, de Tom Robbins. Por isso não choro por Chico. Como Pan, ele também achou que não valia mais a pena. E teve coragem de ser fiel até o fim a sua companheira mais fiel. Ele sempre soube que o preço desta fidelidade era alto. Mas ninguém pode dizer que Chico não tem coragem. Se ele teve peito para fazer “O Capote” e ousadia para, junto com Liu Arruda, apresentar de forma tão carinhosa os cuiabanos aos “paus rodados”, fazendo os primeiros morrerem de rir da crítica escrachada e bem humorada feita a seu modo de viver…

Através dele, Cuiabania virou moda. Sua interferência naquele momento crucial de solidificação de uma nova identidade cultural dos povos que se uniram em Cuiabá ainda vai ser reconhecida e estudada, como tese de mestrado e tudo mais…

Por estas e por outras é que Chico foi desta, que já não estava tão boa, para outra certamente melhor. Deixando por aqui um monte de órfãos, todos com medo de morrer de tédio…

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